EDITORIAL – Setembros negros

Imagem2Foi há 42 anos, em Munique. O mundo acordava para uma nova realidade em que o até então adormecido e menos mediático problema da Palestina, deixava de ser uma questão regional e assumia as proporções de dilema universal.  Antes de mais, queremos deixar claro que repudiamos o terrorismo, todas as formas de terrorismo. É uma forma cobarde de punir o inimigo, vitimando gente que nada tem a ver com as injustiças que estão por detrás das acções punitivas e que levam à criação dos grupos que as concretizam.

É estúpido o axioma de que «todos são responsáveis». Que responsabilidade têm as crianças vítimas dos atentados? Quando dizemos «todas as formas de terrorismo», queremos mesmo dizer todas, não esquecendo que em Hiroxima e Nagasáqui se cometeu o mais cobarde, hediondo e miserável acto de terrorismo. Aliás, as administrações norte-americanas são o factor principal do terrorismo que hoje assusta o mundo. Em todas as injustiças, em todos os crimes sociais e políticos, se encontra a mão desse império. Mas não defendemos que os cidadãos norte-americanos sejam alvo preferencial do terrorismo. Dizer que são eles quem elege os criminosos, não faz sentido. Os fundamentalistas islâmicos que se fazem explodir em nome da fé, pensam pelas suas cabeças? Não serão vítimas manipuladas pela cleresia islâmica, tal como os cidadãos das «democracias» são manipulados pelos meios de “informação”?

O terrorismo é uma forma desprezível de luta, porque toma como alvo quem não se pode defender; pôr uma bomba num mercado é mais fácil do que atacar instalações militares – cobardia pura, mesmo quando os terroristas se imolam – a cobardia não é sua, mas de quem explorando um fanatismo insano e irracional, os usa como instrumento descartável.

Os clérigos islâmicos (os do Vaticano e os outros), os cheiques do petróleo, os miseráveis do Pentágono e da Casa Branca, os grandes senhores da finança, esses, sim, são os criminosos – só que estando bem protegidos, inclusivamente, pela cortina da informação, se tornam alvos difíceis. É o raciocínio dos ladrões – assaltar as casas dos ricos seria mais rentável – mas estão  defendidos por sistemas de alarme, rottweilers… assaltar velhos indefesos é muito mais fácil.

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