2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – AUTO-MUTILAÇÃO por clara castilho

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Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.

Pessoas vestidas constantemente de mangas compridas, em tempo de calor, que mostram cicatrizes ou lesões vezes sem conta, sem explicação plausível, pessoas que se isolam e não querem mostrar o corpo… podemos estar em frente a um caso de auto-mutilação.

A auto-mutilação consiste num comportamento compulsivo em que alguém inflige a si próprio um sofrimento físico através de facas, tesouras, pontas de cigarro, etc., aplicando cortes e queimaduras no próprio corpo. Fazem-no longe da vista dos outros, escondidos no quarto ou na casa de banho.

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A Direção-Geral da Saúde (DGS), no Programa Nacional de Saúde Mental, informou que no grupo dos 15 aos 19 anos, as lesões auto-infligidas surgem com um valor considerado significativo, tendo um peso de 4% na incapacidade ou mortalidade prematura dos jovens.

 Questionamo-nos sobre o porquê.  Será pra chamar a a atenção? Não, dado que as escondem. O facto é que, ao fazê-las quase nem as sentem. É como se os corpos não tenham sensibilidade. Considera-se que a dor que existe é interna.

É a mesma situação de estar na rua, no meio da neve, e não sentir frio, apesar de estar todo roxo. É o mesmo que uma criança que se atira constantemente para o chão, faz feridas e não se incomoda com isso. É o caso de uma criança que urina constantemente nas calças e não o sente. Um mal-estar interno, portanto, que é aliviado por uma dor física.

Por vezes as feridas infligidas são de tal profundidade que têm que ser atendidas nas urgências dos hospitais.

Num estudo realizado em abril de 2011, em Portugal, no âmbito da Organização Mundial de Saúde, concluiu-se que, numa amostra de 5050 adolescentes, com uma média de 14 anos, 15,6% referiram “ter-se magoado de propósito nos últimos 12 meses, mais do que uma vez”.

A automutilação acontece mais na adolescência. São situações graves que requerem ajuda profissional.

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