Amílcar Lopes Cabral, que viria a ser o líder do PAIGC, movimento de libertação de Guiné e Cabo Verde, nasceu neste dia, no ano de 1924, em Bafatá, na actual Guiné-Bissau -morreu em 20 de Janeiro de 1973 em Conacri, vítima de um atentado levado a cabo por elementos traidores do seu partido.
No site Vidas lusófonas, artigo de de Carlos Pinto Santos, podemos ler: “Ele nasceu com a política na cabeça. Era filho de político. Juvenal falava-lhe de todas as coisas”. São palavras, em 1976, um ano antes da sua morte, de Dona Iva Pinhel Évora, mãe de Amílcar, mulher de Juvenal Lopes Cabral.”
Para além da sua luta pela libertação do seu povo, Amílcar Cabral também foi um poeta.
POEMA
Quem é que não se lembra
Daquele grito que parecia trovão?!
– É que ontem
Soltei meu frito de revolta.
Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,
Atravessou os mares e os oceanos,
Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,
Não respeitou fronteiras
E fez vibrar meu peito…
Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,
Confraternizou todos os Homens
E transformou a Vida…
… Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,
Que não transpôs o Mundo,
O Mundo que sou eu!
Ah! O meu grito de revolta que feneceu lá longe,
Muito longe,
Na minha garganta!
Na garganta de todos os Homens
Em homenagem a Amílcar Cabral, apresentamos
ELEGIA PARA AMÍLCAR CABRAL
do Maestro Jorge Peixinho


