NO TEATRO NACIONAL DE S. JOÃO, NO PORTO, PÍLADES, DE PASOLINI

Entre 18 de Setembro e 5 de Outubro estará em cena Pílades, de Pier Paolo Pasolini, encenada por Luís Miguel Cintra.

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Porque partilham uma ética de resistência política e cultural, os caminhos dePier Paolo Pasolini (1922-1975) e do Teatro da Cornucópia estavam destinados ao encontro. Começaram por se cruzar em 1999, ano da montagem de Afabulação. Mais recentemente, duas das cartas de Gennariello foram enxertadas ao corpo do Íon de Eurípides, a peça que a companhia escolheu fazer “a propósito” das comemorações dos 40 anos da Revolução dos Cravos.

Com Pílades, e de novo sob a égide do teatro grego clássico, a companhia regressa a Pasolini para adensar o debate sobre o ideário democrático proposto em Íon. Publicada em 1967 e concebida como uma espécie de epílogo à Oresteia de Ésquilo, Pílades é um dos exemplos mais eloquentes de um teatro poético e reflexivo que se quis escandalosamente da palavra. Numa toada profética, Pasolini confronta-nos com a radical solidão de Pílades, o “poeta da diferença” que quer conquistar e transformar a cidade mas acaba derrotado pelas Euménides, as novas Fúrias do consumismo e do conformismo. A revolução falha, mas Pílades não é a crónica de uma desistência, é antes um vital elogio do protesto.

Luis Miguel Cintra coloca-o em cena num momento em que vivemos tempos de ominosa desideologização da política, com um elenco de atores que concilia a juventude de profissionais recém-saídos da Escola Superior de Teatro e Cinema e a maturidade de uma geração que cresceu no Teatro da Cornucópia. Juntos, propõem-nos uma leitura, um pensamento, uma contestação viva.

Ficha Técnica

de – Pier Paolo Pasolini

tradução – Mário Feliciano e Luiza Neto Jorge

encenação – Luis Miguel Cintra

cenografia e figurinos – Cristina Reis

desenho de luz – Cristina Reis, Luis Miguel Cintracom Rui Seabra

interpretação – Ana Amaral, Bernardo Nabais, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Guilherme Gomes, Isac Graça, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Rita Cabaço, Rita Durão, Sérgio Coragem, Sílvio Vieira, Sofia Marques, Vânia Ribeiro

coprodução – Teatro da Cornucópia, TNDM II, TNSJ

dur. aprox. 3:30 com intervalo

 

 

 

 

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