Na Escócia não houve uma manifestação popular tão exuberante e significativa quanto o foi o da “Diada” do passado 11 de Setembro em Barcelona, com um V desenhado na cidade por dois milhões de manifestantes. Na Catalunha, prevalecesse apenas a vontade genuína, patriótica, do povo catalão e… Adéu Espanya! Porém, embora, de uma maneira geral, os escoceses pareçam mais indiferentes do que os catalães relativamente à questão da independência nacional, ponderadas diferenças idiossincráticas e diferenças de circunstância, com os ingleses a portarem-se de forma mais civilizada do que os castelhanistas, abertamente arrogantes e opressores, o referendo de hoje apaixona a Escócia.
E deixa a Europa em apneia.
Com 97% dos eleitores a recensearem-se, esperando-se uma participação superior aos 90%, o resultado do referendo de hoje é imprevisível As sondagens, consideradas no seu conjunto, são inconclusivas – a última (de ontem), dava 51% ao não e 49% ao sim. Uma que deu maioria ao sim alarmou os unionistas que, mandaram o fair play às urtigas e usaram tudo o que tinham à mão – verdades, meias-verdades e mentiras. Ameaçam com uma tragédia económica e afirmam que há muita gente que vai votar não, mas que tem vergonha de declinar essa intenção de voto. A campanha do “Não” acha que, no Reino Unido, todos vivem melhor se estiverem juntos. Perguntam de forma retórica – “Não” acham que é do interesse de todos manter esta União com mais de 300 anos de existência. A campanha do “Não” defende que, no Reino Unido, todos vivem melhor se estiverem juntos.
Os soberanistas, por seu turno, afirmam que os escoceses estão fartos de receber ordens do Parlamento de Westminster e que, se querem poder decidir sobre os destinos do seu país devem votar a favor da independência, diz a campanha pelo “Sim”- isso permitiria ver os poderes devolvidos à Escócia e uma Escócia mais justa. O Governo britânico, afirmam, não representa os interesses escoceses com o mesmo empenho que seria de esperar de um Governo escocês independente.
O resultado do referendo escocês não sendo decisivo para o de 9 de Novembro na Catalunha, terá grande importância como argumento. Três séculos de soberania interrompida, deixam marcas – há quem deseje a independência , mas a tema. A metáfora de quem vive na escuridão, teme que a luz do Sol a cegue, seria demagógica. Digamos que a independência atemoriza povos que há séculos são tutelados – o síndrome de Estocolmo explica como sequestrados ficam dependentes dos sequestradores.