HOJE, NA LER DEVAGAR, AS MÚSICAS DO PROJECTO “O CAMPO E A CIDADE”

o campo e a cidade

O projeto “O Campo e a Cidade” é o resultado da urgência em trazer à vida canções inspiradas numa coleta de vivências musicais em viagens pelo Brasil e pelo mundo. Londres, Paris, Montevidéu, São Paulo, Bruxelas e Sevilha, se encontram em Guareí, Tatuí e na Ilha de Marajó. Os artistas Neto Rocha, Marcello Gabbay e Carlos “Canhão” Brito reúnem a correria das grandes cidades ao vagar do interior.

Originários de territórios distantes das cinzentas metrópoles brasileiras, mas já tocados pela vida superurbana, foi em 2008, no Rio de Janeiro, que se iniciou a interseção entre Guareí (SP) e Belém (PA). Mas somente cinco anos depois, doze canções tomaram corpo sob a pressão solitária das capitais e a estética artesanal do homestudio. De um quartinho de São Paulo nasceu o trabalho que não podia mais esperar.

Kleiton e Kledir, Sá e Guarabira, Toquinho e Vinícius, Nilson e Vital, Simon e Garfunkel, Moraes e Pepeu. De alguma forma as duplas criativas estão relacionadas com uma referência a terra, ao lugar de origem, a saudade e a vida nas cidades grandes, aos conflitos do contemporâneo.

o  campo e a cidade

A sonoridade pau-e-corda do disco é, ao mesmo tempo, um recurso criativo e uma estética sonora intencional. As cordas dos violões, banjo, e do contrabaixo, dividem textura com pau de chuva, taças de vidro, objetos de madeira, um garrafão de água mineral, sintetizadores, e o trabalho vocal do grupo. O resultado é algo entre a sonoridade brasileira “anos 70” e a aura confessional instantânea da música popular contemporânea, que se reflete tanto no estilo cancioneiro como na forma de gravação.

O estúdio caseiro no bom e velho plug and play remete a grandes discos feitos com poucos recursos tecnológicos, mas que primam pela crueza sonora; como o “McCartney” do ex-baixista dos Beatles, de 1970, ou o disco de estreia de Bob Dylan, de 1962; ou ainda a discografia póstuma do capixaba Sérgio Sampaio, e os misteriosos álbuns violados dos Travelling Wilburys.

Ainda sob o espírito artesanal, a dupla realizou uma série de apresentações de bolso, no pequeno apartamento da rua Frei Caneca, em São Paulo. Inspirada na iniciativa de artistas independentes de vários cantos do mundo, a empreitada rendeu o um tipo de solução de arranjo que com apenas dois músicos em cena se lança na ocupação dos espaços, fazendo dos shows uma grande festa à pés descalços, regada a textos de Leminski, Bandeira, Artaud e Borges.

“O Campo e a Cidade” lançou um EP em Belém, no Teatro Cuíra, com a participação do percussionista Kleber Benigno (Trio Manari), e da cantora Juliana Sinimbú. Em São Paulo, o lançamento ocorreu no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, na Praça Benedito Calixto, Pinheiros.

Em Novembro de 2013, o grupo ainda foi selecionado para o projeto “Antessala”, da Dafiti, que visa lançar dez artistas independentes com apresentações no HSBC São Paulo.

Lento e veloz, urbano e algo rural, urgente e casual, o disco de “O Campo e a Cidade” traz a síntese tão brasileira e tão contemporânea do campo e da cidade; expressa nos sons, textos, cordas e cantares.

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