CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – FOI ABERTA A CAIXA DE PANDORA – por Mário de Oliveira

 quotidiano1

Hoje, sábado, bem se pode escrever que esta semana que foi aberta a Caixa de Pandora. As máscaras dos agentes do poder político partiram-se. Restam os cacos. O poder político vai nu, e toda a gente pode ver, agora, quão horrendo, ele é, à direita e à esquerda. Não! Não digam que meto tudo no mesmo saco, porque, efectivamente, o poder político é só um. As populações podem, para seu mal, enterrar ainda mais a cabeça na areia e viver cada vez mais focadas nos futebóis das SADs, nas novelas, no euromilhões, nas chamadas telefónicas para aquele número mágico das tvs que garante mil euro a quem ligar, e quanto mais vezes ligar, mais hipóteses tem de ganhar. Não as acuso. Seria cínico e cruel se o fizesse. São vítimas do poder até esse grau de degradação. Acuso os seus carrascos, com destaque para os agentes do poder político, que estão todos aí ao serviço do poder financeiro e do poder religioso/eclesiástico, mas fingem que estão ao serviço das populações. São eles, os novos sacerdotes do templo, ungidos pelo deus Dinheiro, omnipotente, omnisciente, omnipresente, para executarem nos múltiplos altares de cada Estado, as populações do respectivo país, quais ovelhas levadas ao matadouro. Esta semana é obscenamente esclarecedora. Partiram-se as máscaras e todos os agentes do poder político estão nus. As populações puderam ver, finalmente, quão horrendos, hipócritas, mentirosos, oportunistas, troca-tintas, cínicos, malabaristas, corporativos, eles são. Tudo lhes é permitido, até fazer de conta que são transparentes, abnegados, puros, remediados, pobrezinhos, altruístas. Abriu-se a Caixa de Pandora. E nem que, agora, corram a tentar fechá-la, já não conseguem prender a luz que se fez nas mentes das suas vítimas, as populações. Cabe a estas abandonar a preguiça política e deixar-se mobilizar pelo sopro/vento político maiêutico, sistematicamente reprimido dentro delas. Nunca o poder é parte da solução. É o problema n.º 1. A solução reside nas populações maieuticamente organizadas e tem de vir de dentro delas para fora. Intermediários, nunca mais! Política praticada quero, diz a Sabedoria, não intermediários, que vivem só para roubar, sacrificar, matar as populações, nos altares sagrados do poder financeiro, o deus Dinheiro!

27 Setº 2014

1 Comment

  1. A mania de se dizer que os políticos são todos iguais, deriva de uma ideia feita lançada pelos poderosos do dinheiro e seus representantes políticos. Os políticos não são todos iguais, desde logo porque os homens não são todos iguais: encaram as circunstâncias da vida de forma diferente, têm anseios diferentes, reagem de maneiras diferentes. Que se entenda que os políticos da “democracia burguesa” são estereotipados quando chegam ao poder é uma evidência histórica e o dia a dia de cada um o demonstra. Não há sociedade organizada sem poder, o problema está na sua própria democratização: quantos mais cidadãos acederem ao direito organizado de decidir melhor o poder se exerce. A realidade mostra isto mesmo e deve ser a partir desta posição que deve ser analisado o exercício do poder — quem o faz e a quem se destina. Se o poder estiver organizado pela maioria da população e visar as suas necessidades e anseios, a possibilidade de ele ser mal exercido decresce ao ponto de ele se tornar razoável, no seu exercício e na sua aceitação. Sejamos práticos e desconfiemos de ideias feitas.

Leave a Reply