DE LEITURA EM LEITURA, DE LETRA A LETRA NO TECLADO DO COMPUTADOR por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Por vezes não sabemos se um livro, que está no escaparate da livraria, é bom ou não, por vezes temos pena de não sabermos como havemos de escrever um livro, como começar, como compor um personagem, como dar “densidade” às ideias que temos na cabeça, serão ideias coerentes?

Ora, tudo se aprende, mas é preciso encontrar a pessoa certa, o local certo e o “nosso” tempo certo. A escritora e jornalista Inês Pedrosa, conhecida por muitos leitores, vai dar-nos essa oportunidade, na emblemática Livraria lisboeta Buchholz, através de um curso de escrita ficcional.ver em http://www.inespedrosa.com/curso/info.html ou Inês Pedrosa, página oficial

E como, naturalmente não vai fazer nenhum exame final, como está na moda, mas sim transmitir algo dos seus conhecimentos sobre leitura, escrita…como se constrói a voz do escritor e muito mais.

Vai dar a descobrir ou a redescobrir escritores que nos apaixonam, tais como

Camões (Lírica), Eça de Queiroz (Os Maias), Camilo Castelo Branco (A Queda de um Anjo), Fernando Pessoa ( O Livro do Desassossego), José Cardoso Pires (O Delfim) e Cervantes, Tolstoi,  Flaubert,  Musil, Virgínia Woolf, e outros que se encontram na programação do curso.

E porquê a importância desta iniciativa?

Porque na realidade as crianças quando vão para a escola trazem consigo o seu imaginário e o seu código linguístico.

Muitos alunos não têm livros em casa e, por isso, nunca foram despertados para a descoberta da leitura e da escrita, têm medo de requisitar um livro da Biblioteca Escolar para levar para casa, porque o irmão mais pequeno pode estragá-lo.

Quando um escritor vai à escola, ficam encantados, afinal ele é como nós, só que sabe escrever bem…

À medida que a escolaridade avança, os alunos vão tendo cada vez mais acesso aos livros, sejam os de leitura obrigatória sejam outros que são do seu agrado.

Há alunos que pelo facto de terem pais que gostam de ler, o hábito da leitura é-lhes familiar, mas outros só encontram a magia da leitura na escola.

Quando vão para a Biblioteca da Escola por vezes perguntam “ como se escreve um livro?”, “o que é preciso para escrever um livro?” e as professoras bibliotecária, ou outra, respondem, mas nunca satisfazem totalmente aquela pessoa que está a crescer para a leitura e para a escrita. Crescem com a sensação de que escrever não é para elas, que os escritores são diferentes, especiais, daí o seu entusiasmo quando um escritor vai à Escola. Querem ter o livro na mão, querem saber quanto custa, querem um “autógrafo”…

 bia 27.10

Tirando algumas iniciativas da Câmara e de alguns professores, foi de facto a partir da Rede de Bibliotecas Escolares e depois com o Plano Nacional de Leitura que os livros soltaram as suas folhas e foram parar às mãos dos alunos, com ou sem livros em casa.

Alguns destes alunos quando chegam à idade adulta continuam a gostar de ler, ai se eu soubesse escrever! Ai se eu soubesse escolher bem um livro!

Vai a livrarias, fala com o livreiro e, por vezes, tem sorte porque o livreiro gosta de conversar sobre livros… tal como os seus professores.

Às vezes, essas livrarias, indo ao encontro desse desejo pessoal e íntimo de cada um, brinda estes leitores com alguém conhecido e reconhecido, por muitas pessoas, e com formação para dissipar estas dúvidas e quem sabe não se descobre um bom escritor.

É só dar vida às páginas de bons livros e reflectir sobre a leitura e a escrita para nos tornarmos bons leitores e quem sabe bons escritores. Vamos ouvir o que se vai passar neste.

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