FALTA UMA EDUCAÇÃO AFECTIVA EM MUITAS CASAS E ESCOLAS… por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Começa o ano lectivo e começa uma campanha surda sobre os malefícios da Escola.

Porque razão começam agora a aparecer nas revistas e nos jornais a questão do Bullying?

Será que o Bullying equivale a dizer, estou na escola?

Muito se tem escrito sobre o Bullying, e se o seu filho é vítima? e se o seu filho é o agressor?

Diz-se que um em cada quatro alunos agride ou é perseguido por colegas na escola. E quantos alunos assistem passivamente às cenas de Bullying?

Quantos adultos respondem “deixa lá que isso passa”.

Não podemos partir do princípio que os nossos adolescentes são pessoas agressivas e desprovidas de valores.

Não podemos partir do princípio de que as famílias são perfeitas.

Como é a vida familiar à hora das refeições, nos poucos tempos livres ou quando estão a ver televisão?

Já repararam certamente, quando se vai a um restaurante, como interagem algumas, muitas, famílias: os pais falam ao telemóvel e os filhos fazem os jogos no telemóvel, não se ouve uma palavra, não se vê um sinal evidente de afecto.

Os adolescentes passam imensas horas a comunicar com a tecnologia, os pais passam imenso tempo a ver televisão ou a falar ao telefone.

O que se passa, durante uma noite no bar que os adolescentes frequentam?

A música está com um volume auditivo que torna a conversa impossível, as luzes são de tal intensidade e intermitência que não se consegue ver as expressões faciais do outro.

Não há comunicação com afecto. Bebem os Shots até não conseguirem estar em pé.

Os táxistas são boas testemunhas de como estão estes adolescentes quando os levam a casa, quase de manhã. Estamos a falar de jovens com 12, 13 anos!

Então estes adolescentes não têm pais? Pois, são os próprios pais que contratam o táxi para levar o filho ou a filha a casa.

O que sabem estes pais dos seus filhos, dos seus sentimentos e valores, da sua visão do mundo? São estes adolescentes sensíveis ao ambiente dominante de que não há um futuro bom para eles? Ou será que acreditam num bom futuro?

A vida de um adolescente é marcante em termos afectivos e emocionais. Tão depressa lutam por uma causa em que acreditam, como passam pela realidade sem dar por ela.

O que vêm e o que ouvem estes adolescentes quando passam “a vida” com os auscultadores nos ouvidos e, novamente a música está tão alta que quem passar por eles sabe o que estão a ouvir, ” a curtir”.

Agora já não ouvem só música também conversam com os amigos quase por monossílabos, alto, sem pudor na sua intimidade.

Vamos pôr o problema ao contrário: porque há tantas violências entre os adolescentes, sendo uma delas o bullying?

Estes adolescentes não têm o seu “eu” compensado por uma vida harmoniosa em casa, na rua, nos bares e na escola que se calhar é o único sítio que tenta impor regras, que quer valorizar o que eles têm de bom e castigar o mau comportamento.

Quantas vezes os pais são chamados à escola e dizem que o filho não pode ser o agressor porque em casa é bem comportado! Claro, no computador manda ele, nas saídas à noite manda ele e, muitas vezes, nas horas das refeições não come ao mesmo tempo com os pais, pois tem sempre muita pressa para voltar ao computador porque está fazer um jogo com um colega da escola…

O bullying é um comportamento agressivo que tem que ser tratado com muito cuidado. Há adolescentes que dizem que batem porque não sabem como dizer ao outro que não gosta dele, então bate e chama mais amigos para o ajudarem, porque não sabe como há-de parar.

Não há nada pior para os adolescentes e para as escolas do que as notícias que associam sempre o bullying à escola. Não há bullying escolar, há bullying nas vidas dos adolescentes.

Haverá convivência, entre eles e os adultos, nas ruas onde moram?

Terão um sentimento de pertença na família, em casa, no prédio, na rua, no café do bairro? Ninguém existe ligado à tecnologia e distante das pessoas…

O bullying é um tipo de violência que tem levado adolescente ao desespero, mas esse desespero não pode ser só criado pelo bullying, estes adolescentes estão muito vulneráveis porque se sentem sozinhos afectivamente, não encontram um ombro onde chorar nem na escola, nem em casa nem na comunidade do seu bairro.

1 Comment

  1. Reblogged this on mr4ly and commented:
    Acho que este artigo reflecte plenamente um dos maiores problemas da sociedade actual. É este o futuro que queremos para as gerações futuras?? O que pensam vocês a respeito??

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