David Fyodorovich Oistrakh nasceu em Odessa, na Ucrânia, em 30 de Setembro de 1908. Morreu, em 24 de Outubro de 1974, em Amesterdão
Foi um dos mais consagrados violinistas no século XX. Filho de uma cantora lírica, conviveu desde o berço com a música. Com apenas três anos teve como prenda o primeiro violino. O violino, disse ele, era como um brinquedo, não havia nada mais divertido do que sair com seu violino para passear na rua. Estudou com famoso mestre Piotr Solomonovich Stoliarsky. Foi o primeiro e único professor que teve. Adorava futebol – é famoso o episódio ocorrido durante a sua digressão por Portugal, nos anos 60. O grande José Gomes Ferreira conta-o no IV volume do seu diário – “Dias Comuns”: “O incomparável violinista soviético David Oistrakh está em Lisboa. E ontem, depois de um concerto triunfal no Império, foi convidado para uma recepção em casa da Marquesa do Cadaval.[…]O russo porém recusou e preferiu ir assistir a um desafio de futebol em que jogava o Eusébio – hoje o português mais conhecido em todo o mundo pela maneira como joga à bola.– O Choskatovich ainda gosta mais de futebol do que eu – confidenciou o genial violinista não sei a quem». No volume II de Poeta Militante podemos ler um interessante poema que José Gomes Ferreira dedicou ao concerto de Oistrakh em Lisboa:
Não, não deixes secar
este fio de água de violino
que nas manhãs de ouro
completa as nossas sombras com flores –
enquanto os pássaros de sementes nos olhos
procuram na espiral dos voos
outro cárcere de recomeço.
Escutar David Oistrakh intepretando Clair de lune, de Debussy, ajuda a compreender os versos emocionados de José Gomes Ferreira.
E o contrário também é verdade.