SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA FRANÇA, FALEMOS ENTÃO DA POLÍTICA DE HOLLANDE. – FRANÇA, CRESCIMENTO ZERO – por GIL MIHAELY

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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8. França, crescimento Zero

Leopardo - XVIII

 

 

França, crescimento zero- por falta de competitividade, toda a política está destinada a falhar

Gil Mihaely, France, croissance zéro – Faute de compétitivité, toute politique est vouée à l’échec

Le Causeur, 29 Agosto de  2014

Leopardo - XVII

 

Montebourg ou Valls? Política da oferta ou da procura?  Keynes ou Milton Friedman? Aqui estão algumas das más questões que se levantam  desde a eclosão da crise governamental que levou à formação do governo  Valls II. Não é que estas questões não sejam legítimas em si, mas elas simplesmente não contribuem em nada nada para o debate político e económico em  França.

Apresentam-nos também  muito frequentemente as coisas de maneira muito enviesada. Haveria, por um lado os perversos social-liberais que fazem sofrer os fracos  para agradar aos ricos, e por  outro lado, os gentis keynesianos que consideram que se poderia  escapar pela inundação de dinheiro público a ter uma economia deprimida. Isso é esquecer que a política da Hollande   não é uma pura política da oferta. O governo também incentiva a procura, embora talvez mal ou talvez não o suficiente.

Dois números macroeconómicos mostram o verdadeiro rosto da economia francesa: uma despesa pública igual a 56% do PIB (contra 45% em média nos países da OCDE) e uma taxa de tributação geral obrigatória (o conjunto das taxas e impostos) que representam 50% do PIB (contra 38% em média nos outros países da OCDE). Pode-se pensar que está  bem e pode-se encontrar esta situação desastrosa  – como sendo  uma escolha política legítima. O problema é que muito dificilmente se conseguem ver os  efeitos positivos deste investimento excepcional dos recursos. São as pessoas que desejam  ter um grande serviço público à francesa que deveriam os primeiros a exigir uma auditoria para compreender porque não se faz mais com o mesmo ou porque não se faz o mesmo  com menos.

Assim, que se incentive as empresas e a oferta ou que se apoie a procura – assegurando uma maior igualdade de rendimentos e um serviço público de  largo alcance, uma mesma pergunta se põe : como garantir uma justa e  eficaz afectação dos  meios? A esta questão não se deve necessariamente dar  uma resposta “taylorista” reduzindo sistematicamente os meios atribuídos a uma missão até ao ponto de ruptura.  Ponhamos  a questão de forma  diferente: gastando 56% do PIB, não se poderia  fazer muito melhor? Será que cada euro é bem gasto? Cada francês que deixa o seu domicílio de  manhã será que vai   trabalhar ou antes será que se vai sujeitar ao trabalho? Será que esta  observação está feita de modo marcadamente  ideológico? Pergunte-se antes  porque é que  Marselha, Paris e Cannes  aparecem no top tem mundial como cidades    sentidas  como antipáticas pelos turistas.

Imaginem que se consegue acabar com o endividamento  público, que se decide  mesmo endividar-se ainda mais e que se distribui  o dinheiro assim obtido para criar postos de trabalho na função pública e aligeirar a fiscalidade dos contribuintes mais modestos. Isto teria sem dúvida efeitos benéficos sobre a economia francesa, mas o motor que esta injecção de gasolina é suposto fazer arrancar  é ela  eficiente? E estes meios assim injectados poderiam  eles permitir um crescimento duradouro, apto a financiar um serviço público ambicioso? A resposta é não. Só os sintomas do mal se virão a encontrar aligeirados. Para nos convencermos disto mesmo, é suficiente olhar para a política económica francesa do período 1995-2007. Arrastada pelos ventos do crescimento mundial, a economia francesa então tinha podido esconder os seus problemas estruturais… antes que a crise os mostre.

Apesar destas evidências, as nossas políticas vivem na negação. Assim, Arnaud Montebourg não põe em causa  nem a União Europeia nem o euro mas quer-nos fazer  acreditar neste  quadro vinculativo  que  a França pode fazer alterar a posição alemã, o que levaria  o BCE a abrir os cordões à  bolsa. Ora, para já sabe-se que dois presidentes franceses – Sarkozy e Hollande – se  confrontaram  contra a intransigência alemã. Seria bem melhor explicar como é que se pode mudar a posição da Alemanha do que andar a querer-nos fazer acreditar que isso poderia ser feito. E, depois, agora que o objectivo de Bruxelas do défice a 3% se tornou completamente teórico[1] , este eterno debate entre o eleito desabusado que explica que não é assim tão simples como se pensa  e o jovem primeiro (ministro) que manipula “o há que” , “o é necessário que” (que utilizará o papel  do sábio desabusado dentro de alguns anos)  não nos levará a lado nenhum.

O debate deveria por conseguinte incidir  sobre a melhor maneira de recondicionar os motores da economia francesa numa primeira fase  e o financiamento – mesmo a crédito – do sistema subsequentemente. No caso contrário, se não temos serviços de saúde, educação e segurança à altura que já estamos a pagar, para quê então procurar  os meios  para os pagar ainda mais caro?

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Gil Mihaely est historien et directeur de la publication de CauseurFrance, croissance zéro

Gil Mihaely, Revista Causeur,  Faute de compétitivité, toute politique est vouée à l’échec,

Texto disponível em:

http://www.causeur.fr/france-croissance-zero-28990.html

*Photo : NICOLAS MESSYASZ/SIPA. 00691077_000001.

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[1]  Se bem que ninguém agora o diga com o medo de uma fuga para a frente quanto aos défices.

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