Vejo, sem espanto, que adolescentes e jovens europeus e ocidentais, elas e eles, cada vez em maior número, deixam mães, pais, amigos, respectivos países, e correm a integrar-se no chamado Estado Islâmico, tão odiado e bombardeado pelos EUA e outros Estados. Não! Não são as decapitações de A, B e C, transmitidas em directo ou quase, por tudo quanto é canal de tv e redes sociais, que atraem estes adolescentes e jovens, ainda mais elas que eles. Que horrores desse calibre, não atraem gente a despontar para a vida e para a consciência crítica. O que atrai estes adolescentes e jovens, em número cada vez maior e num rítmo imparável, são as arriscadas causas que movem as gerações mais novas daquele Estado. Enquanto que os adolescentes e jovens dos Estados europeus e ocidentais estão para aí a ser reiteradamente assassinados por novelas, futebóis, overdoses de concertos pimba, manhãs, tardes e noites de tvs rascas, escolas e universidades sem valores e sem dignas saídas profissionais alternativas às do Mercado, igrejas cristãs convertidas em empresas covis de ladrões, noites e noites encharcadas de álcool e outras drogas, orgias de sexo, corpos que se agitam e se prostituem sem um pingo de pudor e de mistério, desemprego galopante, partidos políticos domesticados pelo sistema que tem no Dinheiro acumulado e concentrado o seu deus. Depois de dois mil anos de cristianismo e suas igrejas, com a sua cruz e a sua bíblia, mai-lo seu clero celibatário e os seus pastores, acabamos países sem causas, sem projectos, pelos quais valha a pena dar a própria vida. Ora, para semelhante peditório, os adolescentes e jovens terceiro milénio, todos já pós-cristãos, não estão dispostos a dar, como sempre deram os seus antepassados. E rebelam-se, com carradas de razão. Rompem com os mitos dos antepassados que os fazem jazer/apodrecer em quotidianos de chumbo, subjugados por minorias políticas e financeiras corruptas, sem alma, sem valores, sem causas que nos galvanizem e dignifiquem. Deixam tudo e partem, quais profetas que gritam, Mudai radicalmente de ser-viver e de Deus, ou acabais feitos robots, mercadorias, coisas, menos ainda que minhocas!