RAPARIGAS E RAPAZES DE LISBOA – FERNÃO LOPES, UM VIZINHO DE ALFAMA

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Por volta de 1380, nesses anos terríveis para a nossa cidade, uma família de camponeses ou de mesteirais chegou e fixou-se em Alfama. Foi aí que, não se sabe em que ano, nasceu Fernão Lopes. Talvez em 1385. Terá frequentado a escola catedralícia da Sé de Lisboa… As hesitações e dúvidas na cronologia, devem-se ao facto de Fernão Lopes só ter existência através dos documentos em que interveio, pois nenhum cronista lhe traçou a biografia. É de 1418: o mais antigo documento existente sobre Fernão, revelando a sua condição de Guarda-Mor da Torre do Tombo. Assinala-se também a sua posição como escrivão de D. João I e do infante D. Duarte. Em 1419, por ordem do infante D. Duarte, começou a redigir a Crónica dos Sete Primeiros Reis de Portugal; escreveu depois as crónicas de D. Pedro e D. Fernando, bem como as duas primeiras partes da crónica de D. João I. A partir de  1422, exerceu a função de escrivão da puridade do infante D. Fernando.  Em 1434,  D. Duarte, acabado de subir ao trono, concedeu ao cronista uma tença de 14 000 réis anuais e carta de nobreza, como reconhecimento pelos seus méritos. Passou a usar o título de «vassalo de el-rei». Em 1437, na fracassada expedição a Tânger, fica também prisioneiro o seu filho, Mestre Martinho, médico de D. Fernando. Em 1439, o regente D. Pedro confirmou a tença concedida por D. Duarte, falecido no ano anterior. Por volta de 1443 o seu filho morreu no cativeiro. 1449: D. Afonso V aumentou a tença anual para 20 000 réis anuais. 1451-52: A idade avançada obriga-o a afastar-se do seu trabalho na Torre do Tombo vindo em 1454 a ser substituído no cargo de «guardador das escrituras do Tombo» por Gomes Eanes de Zurara. Em 1459, registou-se o seu envolvimento num litígio para deserdar um neto, Nuno Martins, filho bastardo do mestre Martinho. Fernão Lopes terá morrido pouco tempo depois, provavelmente em 1460.

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