EDITORIAL – O MÉDIO ORIENTE EM CHAMAS

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O ISIS parece estar à beira de conquistar a cidade de Kobani (Ayn al-Arab), situada na Síria, perto da fronteira com a Turquia, que tem uma enorme importância estratégica. Durante a guerra que assola a Síria, já há vários anos, forças curdas tomaram o controlo da cidade, que pretendem que faça parte de um futuro Curdistão independente. Nesta sua pretensão são contrariados pelos estados dos vários países da região oficialmente reconhecidos. Os Estados Unidos e seus aliados (há quem lhes dê outro nome), jogando como sempre em vários tabuleiros, têm apoiado os curdos contra Bashar al-Assad, na Síria, e no Iraque deram um forte contributo para que usufruam de um estatuto federal, que é uma independência de facto. Contudo, o principal adversário dos curdos é a Turquia, bastião da NATO no flanco sul da Rússia e única potência militar da região que talvez pudesse ombrear com Israel. Uma intervenção militar dos turcos em grande escala talvez conseguisse travar o ISIS, mas favoreceria os curdos e as suas pretensões autonómicas sobre um território de cerca de 500 mil quilómetros quadrados. Uma parte importante deste fica na Turquia, outra no Iraque, e extensões mais reduzidas na Síria e no Irão.

Por outro lado, Erdogan, o presidente turco, sabe que, se atacar o ISIS, vai voltar ainda mais contra si muitos islâmicos que vivem no seu país. Em vez de estabilizar a situação arrisca-se a dar um contributo para fazer mergulhar o seu próprio país no caos. Ainda por cima considera Bashar al-Assad como inimigo, o que faz com que não se sinta à vontade numa coligação alargada contra o ISIS que o inclua.

São estes alguns dos jogos (?!) que fazem que o Médio Oriente se encontre em tão mau estado. Entretanto, parece que a maior parte das armas dos jihadistas vêm dos Estados Unidos e da China. Será que Obama, em vez de se meter em jogos enviesados, não poderia tentar estancar o fluxo de armas para a região? Alguns responderão logo: porque teriam de ser os chineses a ficar com o exclusivo do fornecimento do armamento? Outros: Não sabem que a indústria de armamento manda mais do que o Obama? Pois, foi assim que se chegou ao actual estado de coisas.

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