CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – PRÉMIO NOBEL? NÃO, OBRIGADO! – por Mário de Oliveira

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Já nem os prémios Nobel se aproveitam. Afinal, tudo se reduz a um cheque, e quanto mais chorudo, melhor. Que os senhores da Academia não são incorruptíveis, nem insubornáveis. Lidam com Dinheiro. E o Dinheiro tem esse perverso condão de tornar pequenas, as almas das pessoas. Pior, de comer as almas das pessoas, que simplesmente deixam de ser. Fica, em seu lugar, o Dinheiro. Razão tem Jesus Nazaré, quando adverte, sem que a voz lhe trema, Ninguém pode servir a dois senhores. E, para que não restassem dúvidas em ninguém, logo esclarece quais são esses dois senhores incompatíveis entre si: Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro. Veio depois o cristianismo, mai-lo seu mítico Cristo, com o firme propósito de desmentir/negar/matar Jesus, junto das populações e dos povos. E, lá, onde Jesus coloca a dijuntiva ou, Deus ou o Dinheiro, o cristianismo coloca a copulativa e, Deus e o Dinheiro. Tanto bastou, para, dois mil anos depois, estarmos caídos na mais crassa idolatria. Hoje, o Dinheiro é Deus, Deus é o Dinheiro. Fora do Dinheiro, é o nada. Quando até os Prémios Nobel se reduzem a um cheque, convertível em Dinheiro, e as pessoas valem pelo que têm, não pelo que são, não há mais espaço para os seres humanos, as abelhas, as árvores, as flores, as fontes, os rios, a vida. Depois de dois mil anos de cristianismo, a impor Cristo e a sua copulativa e, Deus e o Dinheiro, contra Jesus e a sua dijuntiva ou, Deus ou o Dinheiro, nunca mais a humanidade se encontrou. É uma humanidade cada vez mais perdida de si própria, aceleradamente reduzida a coisa, a verme rastejante. O seu muito saber é todo de destruição e de morte. Quanto mais cresce em saber, mais a vida, a humanidade, está em perigo. É perito em crueldade. Tem como ideal, matar, matar, matar; roubar, roubar, roubar; destruir, destruir, destruir. Não é que Deus, na dijuntiva de Jesus, Deus ou o Dinheiro, seja necessário. Deus, para Jesus, ao contrário do Dinheiro, é da ordem da gratuidade, da dádiva, da intimidade, não da necessidade. Por isso, é vida, o sopro que faz acontecer a vida. Enquanto o Dinheiro é o inimigo, o assassino da vida. Ou regressamos a Jesus e à sua dijuntiva, ou, Deus ou o Dinheiro, ou perdemo-nos. Para sempre!

10 Outº 2014

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