Publicamos hoje novamente o artigo que o José Bastos nos enviou há dias, sobre as fábricas abandonadas do Montijo. Muito apropriadamente, o José Bastos chamou-nos a atenção para que a fotografia que tínhamos inserido quando fizemos a primeira publicação, na quinta-feira passada, 16 de Outubro, não era a mais adequada para se ter uma ideia do problema. Assim hoje fazemos uma segunda edição, mas com outra fotografia, também remetida pelo José Bastos.
A crise e as antigas fábricas da zona urbana de Montijo
A crise actual tem transformado a nossa vida e o valor das propriedades. Temos habitação para todos e a tendência em relação ao futuro é existirem mais casas do que famílias, no Montijo e no país. O nascimento de crianças está a diminuir e muitos casais jovens estão a emigrar.
Existem na zona urbana de Montijo dezenas de antigas fábricas abandonadas à espera de serem vendidas para construção de prédios de habitação colectiva. Não foi a crise actual que provocou a decadência destas empresas. Isto vem acontecendo há dezenas de anos, mas com a crise actual a situação está a tornar-se insustentável, pois se até à chegada da crise os proprietários dos terrenos ou das ruinas e a cidade tinham esperança que esses espaços fossem ocupados por prédios de habitação, hoje, é bem visível aos olhos de todos que estamos na presença de um problema de difícil solução que já ninguém pode iludir.
A conhecida fábrica Izidoro, a antiga, está em degradação à volta de 40 anos, desde que foi inaugurada uma mais moderna no limite Norte da cidade que já foi vendida. Na zona existem também mais de 10 armazéns desta empresa em ruínas,
A TOBOM, uma marca de produtos de carne muito conhecida no país, situada na Praça da República, faliu nos anos oitenta do século passado, já mudou duas vezes de proprietário, mas continua em estado de degradação.
A maior casa comercial do Montijo, que ocupava uma pequena rua do centro da cidade que pertencia aos herdeiros de Gabriel Domingos do Carmo, está fechada e em degradação há dezenas de anos e os herdeiros já a venderam ao actual proprietário. Alguém ainda se lembra de há quantos anos a casa Gabriel do Carmo fechou as portas?
A Moncar situada no Largo Ferreira faliu há muitos anos. A fábrica foi à praça e foi comprada por um promotor imobiliário que até agora não fez nada.
A Bertom na Rua Serpa Pinto faliu, o edifício foi vendido em tribunal, voltou a mudar de proprietário e está a degradar-se.
Falei destes espaços porque são aqueles que estão mesmo no centro da zona urbana antiga, porque na periferia da cidade e junto ao rio existem muitas fábricas abandonadas como são os casos da Infal, Soberana, Tofal, Pablos na zona da cozedura da prancha e outras muito conhecidas como é o caso da fábrica do Afonso e que nos últimos anos pertenceu ao Queimado & Pampolim, Lda, que faliu e o terreno da fábrica já foi vendido em praça.
Este é um problema difícil de resolver tanto para os poderes públicos como para os proprietários dos terrenos e que só pode ser resolvido em diálogo.
Quando levanto qualquer problema gosto de avançar o meu pensamento sobre o assunto. E o meu pensamento é que estes espaços sejam ocupados novamente por pequenas indústrias não poluentes ou comércios, mas que os proprietários dos terrenos pedissem um preço compatível com a rentabilidade da actividade. Assim é que não pode continuar por mais 30 ou 40 anos, perdem os proprietários e a cidade é quem mais perde.

________
Nota de A Viagem dos Argonautas:
Sobre este assunto veja o link:
E veja também a primeira edição do artigo acima em:
A CRISE E AS ANTIGAS FÁBRICAS DA ZONA URBANA DO MONTIJO – por JOSÉ BASTOS

