EDITORIAL – A dimensão ética dos actuais governantes

logo editorialEste executivo está, de dia para dia, a perder a capacidade de nos surpreender – falsos diplomas académicos, negociatas com compras de material militar, fuga a impostos, plágios de teses alheias… A dimensão ética dentro da qual esta gente se move é reduzida, para não dizer inexistente.

Sabe-se que a blogosfera é uma selva onde nada é respeitado e muito menos os direitos do autor – se um bloguista gosta de um texto de um dado escritor, não está com meias medidas – transcreve-o – se é “sério”, refere a fonte e agradece. Mas é frequente entender-se que o nome do autor, caso não seja famoso, não interessa, pelo que o nome de quem coloca o post aparece como se fosse ele o autor. É uma postura nova perante a propriedade intelectual. E já se chama «pesquisa» à devassa da rede em busca de material para trabalhos escolares e não só. Em português europeu diz-se investigação e costumava levar quem investigava à Torre do Tombo, a bibliotecas, aquisição e leitura de bibliografia. Hoje, qualquer aluno do ensino básico faz pesquisa, transcrevendo textos que apresenta como seus. Chama-se pesquisa a esta operação de furto, porque no Brasil investigação é um exclusivo da polícia. Pela mesma razão que se deixou de chamar bicha a uma fileira de pessoas ou carros, pois, no Brasil, «bicha» é palavra homofóbica. Talvez fosse de passarmos a chamar Outono à Primavera, e vice-versa… Mas voltemos ao tema.

Vem a lume a notícia de que o homem que detinha a tutela do Ensino Básico e Secundário se demitiu invocando “imperativos de consciência”, depois do surgimento da notícia que dava conta de plágios numa comunicação por si apresentada em 2007 nas Jornadas Europeias da Convivência Escolar, comunicação que versavaa sobre aa «dimensão ética da profissão docente». O autor legítimo viu incluído no livro Escola, Culturas e Saberes um seu trabalho sobre “A profissão e a formação no discurso dos professores do ensino liceal”. Num capítulo intitulado “O entendimento do professor como profissional do ensino”, há um parágrafo muito semelhante a um excerto do segundo capítulo da comunicação do secretário de Estado demissionário. O capítulo versava sobre o “conjunto de normas e valores próprios dos professores” que eram sistematizados “sob a forma de um código de conduta”. Apesar da alteração de algumas palavras, os dois parágrafos são semelhantes.

Como se dizia no final das séries televisivas, «o que mais irá acontecer?»

 

 

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