CRÓNICA DE DOMINGO – ESPIGA PINTO, PINTOR DO ALENTEJO (1940-2014) – por Manuel Simões

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Faleceu no passado dia 1 de Outubro, no Porto, o conhecido artista José Manuel Espiga Pinto, natural de Vila Viçosa. Pertencia à chamada terceira geração Imagem2 modernista e a sua obra, de marcas reconhecíveis, distribui-se pela pintura, escultura, cerâmica, gravura, serigrafia, e até por inconfundíveis murais de grandes dimensões.

A primeira parte da sua obra pode inserir-se na arte neo-realista da época e com razão o historiador de arte David Santos a caracteriza deste modo: «O campesinato, a vida na aldeia ou nas vilas dessa região marcam uma das imagens mais fortes da sua estética, uma espécie de neo-realismo tardio, já nos anos 1960 e 1970, mas onde era possível vislumbrar uma capacidade de auto-ironia e mesmo humor sobre essa iconografia». Mais tarde, a abstracção invade as suas formas de representação, conhecendo então uma fase intermédia em que o mundo alentejano aparece marcado por uma geometria que o artista desenvolverá cada vez mais na tentativa de reproduzir uma espécie de “simbologia do cosmos”, embora o seu olhar tenha continuado a incidir sobre a paisagem humana e social e sobre os grandes conflitos do Alentejo.

Espiga Pinto expôs desde  muito cedo (15 anos) e realizou mais de 80 exposições individuais e várias centenas de exposições colectivas. Representado em colecções e museus de todo o mundo, em Portugal há obras suas no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, no Museu de Arte Contemporânea (Chiado), na colecção Berardo, na Caixa Geral de Depósitos (Lisboa) e no Museu de Serralves (Porto).

Entre as suas obras de arte pública sublinham-se as esculturas do Parque Miraflores (Oeiras); e na Av. Álvaro Pais (Lisboa) pode admirar-se a escultura em bronze “Mapa da memória inicial”, que venceu o Prémio Marconi de 1992, um dos muitos prémios com que foi galardoado.

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