“DIAS FELIZES”, DE BECKETT, NO PORTO, NO PALCO DO TEATRO SÃO JOÃO, DIA 24, às 21.30

Desde que se estreou, há mais de cinquenta anos, Ah, os dias felizes tem sido recebida como um “Dies irae de uma beleza aflitiva”, uma revisitação da tragédia Prometeu Agrilhoado e da condição dos condenados no Inferno de Dante – mas também, ao mesmo tempo, como uma canção de amor e um “poema comovente contra o pessimismo”.

sem nome

O autor, Samuel Beckett, recusou pronunciar-se, deixando todos os caminhos em aberto, apelando a uma outra experiência: a nossa.

Winnie (Emília Silvestre) e Willie (João Cardoso) – um casal pequeno-burguês, de meia-idade, amante de operetas e clássicos (mas também de postais pornográficos…) – regressam ao palco do São João e aos seus montículos queimados por um sol inclemente para “falar de tudo, de tudo o que se pode”, após uma bem-sucedida primeira temporada em novembro de 2013.

Ao distinguir a encenação de Nuno Carinhas com uma Menção Especial relativa ao teatro que se fez no ano passado, a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro assinalava “a exigência artística que revelava em todos os planos: da singular exuberância cenográfica e de figurino a uma brilhante iluminação de cena e uma exigente e calculada vivacidade na interpretação, inscrevendo nesta visitação ao mundo de Beckett um sentido de possível desinquietação face ao esvaziamento da vida que nos cabe hoje viver.

Texto de Samuel Beckett; tradução de Alexandra Moreira da Silva; encenação, cenografia e figurinos de Nuno Carinhas; desenho de luz de Nuno Meira; desenho de som de Francisco Leal; preparação vocal e elocução de João Henriques; interpretação de Emília Silvestre, João Cardoso e produção do Teatro Nacional de São João.

 

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