Desde que se estreou, há mais de cinquenta anos, Ah, os dias felizes tem sido recebida como um “Dies irae de uma beleza aflitiva”, uma revisitação da tragédia Prometeu Agrilhoado e da condição dos condenados no Inferno de Dante – mas também, ao mesmo tempo, como uma canção de amor e um “poema comovente contra o pessimismo”.

O autor, Samuel Beckett, recusou pronunciar-se, deixando todos os caminhos em aberto, apelando a uma outra experiência: a nossa.
Winnie (Emília Silvestre) e Willie (João Cardoso) – um casal pequeno-burguês, de meia-idade, amante de operetas e clássicos (mas também de postais pornográficos…) – regressam ao palco do São João e aos seus montículos queimados por um sol inclemente para “falar de tudo, de tudo o que se pode”, após uma bem-sucedida primeira temporada em novembro de 2013.
Ao distinguir a encenação de Nuno Carinhas com uma Menção Especial relativa ao teatro que se fez no ano passado, a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro assinalava “a exigência artística que revelava em todos os planos: da singular exuberância cenográfica e de figurino a uma brilhante iluminação de cena e uma exigente e calculada vivacidade na interpretação, inscrevendo nesta visitação ao mundo de Beckett um sentido de possível desinquietação face ao esvaziamento da vida que nos cabe hoje viver.
Texto de Samuel Beckett; tradução de Alexandra Moreira da Silva; encenação, cenografia e figurinos de Nuno Carinhas; desenho de luz de Nuno Meira; desenho de som de Francisco Leal; preparação vocal e elocução de João Henriques; interpretação de Emília Silvestre, João Cardoso e produção do Teatro Nacional de São João.
