Já Fernão Lopes avisava contra a tendência que cada geração tem para sobrevalorizar os factos históricos, as vicissitudes sociais e até as incidências climatéricas do «seu tempo». Quando os velhos dizem «isto anda tudo mudado», referindo-se a um frio ou calor inusitados, estão a usar como base comparativa dessa afirmação o seu tempo de vida. O que são, 70, 80 ou mesmo cem anos nos ciclos vitais do planeta?
Mas quando dizemos que este governo é o pior de quantos houve desde que a Democracia foi restaurada, muitos de nós sabem que não se trata de um exagero. Nem os executivos de um Cavaco Silva, iletrado e manhoso, conseguiram reunir gente de tão baixa extracção. Pergunta-se – por que não os demitimos? Como podemos deixar um Paulo Portas, arrogante e histriónico, presumir de eleito pelo povo? Como podemos permtir o sorriso imbecil de Passos Coelho «explicando», com o ar paciente de um professor falando a um turma de diminuídos mentais? Uma verdadeira democracia teria mecanismos para depor esta gente, estes serviçais de poderes que preservam tudo menos os interesses dos povos.
Estamos prisioneiros de um conceito de democracia que mais não é do que um labirinto de ideias, um bordado de Penélope que jamais estará terminado. O fascismo foi, de facto, uma maneira estúpida de impor a autoridade das pessoas «superiores». Asséptica e apoiada pela «vontade das maioria», aí temos os povos a decidir ser espoliados a favor dos senhores.
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