Em 1984, quando na qualidade de vereador (sem tempo) dos jardins e das zonas verdes, iniciei uma grande campanha, com a participação da população, para transplantação de palmeiras para o espaço público e sementeira de sementes (bolotas) nos viveiros da Câmara, não existia uma única palmeira no espaço público da cidade de Montijo.
As dezenas de palmeiras que existiam na Praça Gomes Freire de Andrade (Largo das Palmeiras), nos anos sessenta do século passado, foram arrancadas e juntas com entulhos serviram para aterrar a caldeira de limpeza do cais que existia no local, onde hoje se encontra o parque de estacionamento. Dois erros da administração da época: aterraram a caldeira de limpeza do cais e destruiram as palmeiras. Nessa época não foi necessário aparecer o escaravelho vermelho das palmeiras, os homens se encarregaram de o fazer.
Com a ajuda do Francisco Arroja Beatriz, já falecido, que cedeu gratuitamente à Câmara uma grua da Premolde e um experiente manobrador e interessado na causa (era preciso não ter medo), transplantámos muitas palmeiras para junto do Rio dos concelhos de Montijo e Alcochete. Houve municípes que ofeceram palmeiras já grandes que tinham nos quintais.
Quem comandou todas estas operações de arranque e transplantação das palmeiras foi o encarregado dos jardins e zonas verdes da Câmara Júlio Martinho, um dedicado trabalhador da função pública a quem quero prestar homenagem pelo excelente trabalho realizado no desempenho da sua profissão.
As palmeiras que tiveram um grande sucesso mediático com a sua transplantação, foram as duas que foram transplantadas das malhadas da Companhia de Criação e Comércio de Gados para o extremo do cais e que ainda lá se encontram. Toda a população da cidade sabia o que se estava a passar. Estiveram cá a RTP, que era a única televisão que existia na época, e vários jornais, entre eles o Diário Popular, jornal muito conhecido à época.
O plano de sementeira das palmeiras também resultou e em pouco tempo tínhamos centenas de palmeiras jovens em viveiro. As sementes eram postas em garrafas de plástico sem gargalo e depois transplantadas para vasos. Hoje, nascem palmeiras em locais da cidade que nem se sabe como as sementes lá foram parar.
Foi assim, que em tempos de crise e quando não havia dinheiro para comprar outros tipos de árvores lá iam as palmeiras parar aos jardins e as zonas verdes da cidade. Quando a praga começou tinhamos centenas de palmeiras por todo o concelho.
A palmeira é uma das poucas árvores de raiz radicular, a oliveira também tem, por isso mesmo velhas são de fácil transplantação e a operação tem quase sempre sucesso. As sementes são muito fáceis de conseguir e cada uma dá uma árvore.
Logo que termine a praga do escaravelho vermelho a Câmara que lá estiver se tiver vontade política para o fazer, com facilidade e com poucos gastos pode pôr em prática um novo plano de plantação de palmeiras por toda a cidade, usando umas centenas de palmeiras já crescidas que existem nos viveiros da Câmara.
As “carpideiras” que andam por aí têm que acabar de chorar, pois a praga das palmeiras é uma doença de uma importância relativa que se pode resolver com o tempo e não morre ninguém por isso. Temos é que ter todo o cuidado com o ébola que essa sim é uma doença perigosíssima para o ser humano, sem cura e de contágio fácil.