A VARANDA DE JULIETA, de NUNO JÚDICE

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A Varanda de Julieta, de Nuno Júdice

 

(1949 - )
(1949 – )

 

Uma vez, entrei em verona para não entrar

em veneza. Entre o vê de verona e o vê

de veneza optei por ver verona. Gostei da

coincidência das consoantes na janela

de julieta; e sei que em veneza não ouviria

o vento da vingança, nem provaria o veneno

de uma volúpia que só em verona se

desvanece com a vida. Não há canais em

verona, como em veneza; nem há janelas

em veneza, como em verona; mas julieta

espreita a rua, da janela que é sua, e se

ninguém diz a senha que só ela sabe, agita

o lenço molhado pelas lágrimas que as

nuvens bebem, levando-as de verona até

veneza, onde a chuva as deita nos canais.

 

 

(de “Pedro, lembrando Inês”, 2001)

 

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