EDITORIAL: Licenciados a mais?

 

logo editorialNo decurso de uma reforma do Ensino, em 1936, Salazar terá dito que aos portugueses bastava saber ler, escrever e contar. Precisava-se de braços para a agricultura e para as fábricas e, naqueles anos 30 em que o Estado Novo se instalava quem tivesse um diploma de estudos liceais não se resignava a trabalhos pesados. «Tem estudos», dizia-se.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse anteontem que países como Portugal e Espanha têm demasiados licenciados. A seu ver isso faz com que não se apercebam das vantagens do «ensino vocacional» . Como se um engenheiro, um médico ou um professor não seguissem também vocações na sua aprendizagem escolar.

Vejamos os números – Segundo as informações disponibilizados pelo gabinete de estatísticas europeu, em 2013, 25,3% da população da União Europeia entre os 15 e os 64 anos possuía diplomas do ensino superior – a percentagem portuguesa era de 17,6% e a alemã de 25,1%. Se temos licenciados a mais, o que dizer da Alemanha?

Ali chegam todos os dias jovens vindos dos quatro cantos da Europa – médicos, arquitectos, engenheiros… Merkel deve querer que os imigrantes sejam gente com vocações menos qualificadas. Para os lugares-chave lá estão os alemães.

      

 

2 Comments

  1. Do que se esquece é que há pessoas que tiram cursos profissionais e estão a trabalhar em áreas nada a ver. É triste ouvir pessoas a falar que não conhecem a verdadeira realidade. Não digo que não seja importante haver cursos como mecanica e electricistas e não nego que nos falta uma maior autonomia nos bens de 1ª necessidade, mas não me parece que o problema resida nesse aspecto, se calhar, o verdadeiro problema é o ensino não estar direccionado para o mercado de trabalho, e termos profissionais de sei lá que pais.

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