“Alguns aspectos da casta e bela história da igreja”, é como, ironicamente, Adão Cruz, que se estreia nesta rubrica em que os argonautas
registam as suas impressões de leituras, define esta obra do escritor, professor e jornalista peruano Eric Fratinni, cuja obra assenta na incessante denúncia da mentira, do crime, da corrupção que envolvem o catolicismo. Vamos ler o que Adão Cruz nos revela sobre esta obra.


Sejamos sérios…não é lendo romances tipo ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’ de Saramago, o ‘O Código
Da Vinci ‘ de Dan Brown, ou ‘O Labirinto de Água’ de Eric Frattini (que não li) que nos podemos instruir sobre as virtudes ou as ignomínias de uma instituição bimilenar como é a Igreja Católica. Para esse fim sugiro a leitura da ‘História do Cristianismo’ de Paul Johnson,um estudo sério, extenso e altamente crítico.
Em dois mil anos de história podem-se de facto apontar épocas de grande corrupção e imoralidade no seio da Igreja e, mais especificamente, no papado renascentista. Será oportuno relembrar que a Igreja Católica exerceu simultaneamente durante séculos poder temporal e espiritual. Não podemos julgar com um mesmo critério comportamentos e mentalidades que foram evoluindo através dos séculos. Não obstante as vicissitudes inerentes a tão largo período, com alternancias de esplendor e decadência, poder-se-á dizer,
sem ironia, que a história da Igreja é, apesar de tudo, uma bela história. A longevidade do cristianismo deve-se fundamentalmente à sua ética e ao idealismo da sua narrativa primitiva. O valor intrínseco da palavra evangélica permanece inalterável e é a pedra angular que sustém a instituição apesar das sucessivas crises e intempéries. Para além dos dogmas e da muita ou pouca integridade circunstancial dos poderes hierárquicos, o cristianismo é, acima de tudo, uma ideología, um ethos, um modo de pensar y de actuar. Nesse sentido arriscar-me-ei a afirmar que, por via da globalização da cultura ocidental, hoje vivemos num mundo civilizacionalmente cristão, independentemente das religiões que se pratiquem nas diferentes partes do globo. Apesar das múltiples inequidades históricas a que está ligada ( a escravatura, a inquisição, o colonialismo, a corrupção…) seria tremendamente injusto não atribuir à Igreja Católica um papel preponderante no progresso da civilização ocidental. A ela devemos a preservação das letras, a temática e o incremento da expressão artística, a construção de catedrais, a fundação de universidades
e misericórdias, o desenvolvimento da agricultura. Acima de tudo, foi nos moldes da Igreja que aprendemos a amar-nos, a casar-nos, a perpetuar-nos…e a sublimar-nos.
Gostaria de aclarar que não creio no dogma católico mas sou católico ideologicamente,