Os Bispos portugueses voltaram a reunir-se esta semana em Fátima. De segunda-feira até ontem. Nenhum dos diários portugueses faz hoje título de primeira página com as conclusões do encontro. Sinal inequívoco de que os bispos portugueses não fazem nada que chegue a ser notícia. Estes seus encontros periódicos são confrangedoramente estéreis. A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) vai de mal a pior. Parece em estado de coma. Aqueles homens já são ordenados cansados. São homens sem afectos. Por isso, sem brilhozinho nos olhos. Sem causas. Por isso, pesos mortos. Metidos em camisas de sete varas. Por isso, sem vento. São o poder, na sua versão mais perversa, o sagrado. Vestem de preto. Colarinho branco apertado ao pescoço. Não riem. Não choram. Não amam nem se amam. Não se emocionam. Não se zangam. Tudo o que fazem não é de seres humanos. É de bispos. Mesmo entre eles, há precedência. Uns são mais do que outros. Para onde vão, levam sempre com eles a cátedra e a catedral. E é do alto delas que falam, que emitem os seus pareceres. A naturalidade e a espontaneidade são-lhes estranhas. Não sabem brincar. Por isso, nunca brincam. Mantêm sempre aquele ar sério, mesmo uns com os outros. Nada de tu-cá-tu-lá. Não são seres humanos como as suas mães, os seus pais. São bispos. Os bispos! Jamais se desfazem dessa forma episcopal, nem mesmo nestes seus encontros. Seriam seres humanos como os das ruas, coisa que eles não querem ser, custe o que custar. Bispos, sim. Seres humanos, não. Mesmo os leigos cristãos, elas e eles, se chamados a cooperar com os bispos, apanham logo os mesmos tiques. O papa, bispo de Roma, os gerou para conduzirem o rebanho. E eles conduzem-no. Do mundo, lugar de pecado, para o templo, lugar sagrado. Nunca sujam as mãos, porque as não têm! Os seus encontros em Fátima são de rezas. De missas. De debates formais. Não de trabalho. Invocam o espírito santo por rotina. O ritual manda, eles executam. No final, o que decidem e nada é tudo um. E a prova é que não chegam a ser notícia! Esterilidade maior é impossível!
14 Novº 2014

