José de Sousa Saramago nasceu na Azinhaga, uma povoação do concelho da Golegã, no Ribatejo. Filho e neto de agricultores, veio viver para Lisboa com os pais, quando ainda não tinha dois anos. Frequentou o liceu e a escola técnica, não tendo prosseguido os estudos devido a limitações económicas. Começou a trabalhar como serralheiro mecânico, tendo sido posteriormente desenhador, funcionário dos serviços de saúde e previdência, tradutor, revisor, editor e jornalista. Desde muito cedo sentiu fascínio pela literatura, sendo frequentador assíduo de bibliotecas, como a das Galveias, no Campo Pequeno.
O seu primeiro romance, Terra do Pecado, foi publicado em 1947. Em 1966, publicou um livro de poesias, Os Poemas Possíveis. Já depois do 25 de Abril de 1974, trabalha no Diário de Notícias e no Diário de Lisboa. Quando da passagem no primeiro, foram-lhe feitas acusações, sobre as quais propomos a consulta ao primeiro link abaixo. Continuando a escrever, publica mais livros de poesia, crónicas, contos e em 1980 tem o seu primeiro grande êxito, com o romance Levantados do Chão, a que se segue em 1982, Memorial do Convento, e em 1984, O Ano da Morte de Ricardo Reis, a que se seguem mais treze outros, os dois últimos, Clarabóia (2011) e Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas (2014), publicados postumamente.
Ateu, iberista, activista de várias causas, polemista, em Portugal e no estrangeiro, José Saramago foi um activo participante na vida literária, social e política, tendo pertencido aos corpos sociais da Associação Portuguesa de Escritores e da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 1993 exilou-se em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, após a publicação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), que lhe valeu fortes ataques de entidades reaccionárias, ligadas ao governo de então e à igreja católica. Em 1995, venceu o Prémio Camões. Em 1998, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Literatura. Harold Bloom, em 2003, considerou-o como o maior escritor vivo, só se lhe equiparando Philip Roth. Quando José Saramago morreu, em entrevista ao Estado de S. Paulo, Bloom comparou-o a Shakespeare, pela inteligência com que tratava tanto o drama como a comédia (ver segundo link).
José Saramago morreu a 18 de Junho de 2010, em Lanzarote.
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Ver os links seguintes:
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,um-talento-que-lembrava-shakespeare,568815
http://www.booksandculture.com/articles/2012/mayjun/sentimentalatheist.html



Dada a referência à condição de José Saramago “ateu, iberista, activista de várias causas, polemista, em Portugal e no estrangeiro, activo participante na vida social e política, membro dos corpos sociais da Associação Portuguesa de Escritores e da Sociedade Portuguesa de Autores, estranho a omissão de que foi sempre militante assumido do PCP (Note-se que o subscritor deste comentário não é nem nunca foi militante do PCP).
Pezarat Correia, obrigado pelo seu comentário. Efectivamente, devia ter referido que José Saramago se filiou no PCP em 1969 (salvo erro). Alíás, foi nessa condição que chegou a ocupar o cargo de presidente da mesa da assembleia municipal de Lisboa, por um período curto de tempo, é verdade. Também deveria ter referido que, em 1949, apoiou, contra o regime ditatorial, a candidatura à presidência da república de Norton de Matos, o que lhe terá valido fortes dissabores. Espero que noutra altura, num texto maior e preparado com mais tempo, possa reparar estas falhas.
Peço também desculpa aos leitores por uma falha que cometi no fim do primeiro parágrafo, que já reparei. Acrescentei “sendo frequentador assíduo de bibliotecas, como a das Galveias, no Campo Pequeno”, um pormenor, mas um pormenor importante, até por estarmos numa época em que a cultura sofre tantos cortes.
João Machado