REFLEXÃO – A EVIDÊNCIA DA EVOLUÇÃO – por Adão Cruz

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Ao ler no Público a entrevista à Professora Maria do Carmo Fonseca, detive-me numa das suas respostas que me deixou maravilhado.

Dizia ela que ao usarem os mais modernos microscópios conseguem ver os genes vivos e perceberem que a célula não está sempre a actuar, sendo muita coisa do domínio do acaso. Como se tivessem uma lâmpada, os genes estão acesos, apagando-se por um período de tempo aleatório, acendendo-se depois outra vez, e voltando a acender-se e a apagar-se. Diz ainda que os genes falam uns com os outros e são cada vez mais multidões. Desde 2002 foram descobertos níveis e níveis e níveis de complexidade na forma como os genes interactuam. Perante esta complexíssima, já anteriormente previsível, relação intergénica, qualquer ser humano curioso fica estarrecido.

Este facto levou-me a começar a reler “A Evidência da Evolução”, de Jerry Coyne, a que já tenho aludido várias vezes. Com efeito, considero esta obra uma das que mais me marcaram nesta minha profunda curiosidade à volta da vida e da nossa existência.

Mesmo no final do livro ele diz: “podemos voar por cima das montanhas mais altas, mergulhar nas profundezas do mar, e atá viajar para outros planetas. Compomos sinfonias, compomos poemas e livros para satisfazer as nossas paixões estéticas e necessidades emocionais. Nenhuma outra espécie conseguiu concretizar algo que vagamente se lhe assemelhasse. Mas há algo ainda mais prodigioso. Somos a única criatura a quem a selecção natural legou um cérebro suficientemente complexo para compreender as leis que governam o Universo. E devíamos estar orgulhosos de sermos a única espécie que descobriu de que forma evoluiu”.

E mais uma vez eu repito aquilo que várias vezes tenho apresentado, na minha maneira de ver, como conclusão evidente: a ciência da Evolução, facto científico ao mais alto nível, o único caminho verdadeiro na descoberta do que somos e quem somos, devia ser ensinada desde o primeiro ano de escolaridade e prosseguir ininterruptamente pela vida fora, transversalmente a qualquer ciência ou curso, desde a matemática à filosofia, da genética à medicina, da antropologia à astronomia. E repito mais uma vez que é minha convicção que qualquer pessoa por mais bem formada que seja, está longe de uma completa formação global, se não tiver integrado nessa mesma formação uma abordagem minimamente suficiente da ciência da Evolução.

 

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