Josemaría Escrivá de Balaguer – Obra de Deus? – por Adão Cruz

Imagem3 Josemaría Escrivá de Balaguer foi, como todos sabem, o Pai do Opus Dei, a Obra a que dedicou toda a sua vida de forma exclusiva e absoluta, servindo Deus e a Sua Vontade dentro de um dos mais irredutíveis fanatismos religiosos.

Aos 73 anos de idade, a 26 de Junho de 1975, Deus chama-o a Si. Podia tê-lo feito de uma forma mais natural e amiga, por exemplo a meio do sono e se possível dentro de um sonho bonito, mas não. Num dia em que Balaguer saía de Roma para fugir do calor abafado da cidade, Deus fulmina-o com um ataque cardíaco, um enfarte do miocárdio, morte bem macaca. E como se não fosse suficiente, ainda permite que o massacrem com manobras de reanimação durante hora e meia, isto é, hora e meia a tentarem contrariar a Ordem e a Vontade divinas.

Claro que as ovelhas do Senhor dizem que os desígnios de Deus são insondáveis, mas nós, humanos que não pertencemos ao rebanho, achamos que isso não se faz, sobretudo a uma pessoa que LhE dedicou de forma absoluta a vida inteira. A despeito de ser Deus a Suprema Bondade, isto cheira mesmo a ingratidão e maldadezinha divina.

Este inigualável devoto e servo de Deus, alguns anos mais tarde foi feito beato e recentemente santo, sabendo-se que praticamente todas as testemunhas chamadas a depor eram favoráveis à beatificação e todas as que eram eventualmente desfavoráveis foram excluídas de forma escandalosa.

Entre as muitas razões que, porventura, levaram à santidade contamos, em nossa opinião, com o facto de ele ser admirador de Hitler, fiel colaborador de Franco e vice-versa, empedernido conservador, ao ponto de eleger o Concílio Vaticano II como seu inimigo principal, a sua doentia obsessão pela despersonalização das pessoas, destruindo-lhes a liberdade de consciência e discernimento, nomeadamente através da proibição e da fogueira de milhares de livros, muitos deles dos melhores autores do mundo. São conhecidos o seu desprezo pelo homem comum e a sua atracção e apetência por gente nobre, rica e poderosa. E também o facto de ser intratável quando a sua vontade era posta em causa, dando provas, muitas vezes, de grande violência verbal. Serve de exemplo a forma como se dirigia à sua secretária, María del Carmen Tapia que o serviu fielmente durante dezoito anos: “Tu és uma má mulher, uma grande hipócrita, és infame, és a escória, és uma mulher pérfida, uma corrupta”; e aos gritos: “Ouve bem, puta! porca!”.

E nem é bom falar dos castigos, represálias, interrogatórios, prisões domiciliárias e de todas as experiências traumatizantes e dolorosas dos arrependidos quando decidiam abandonar a instituição por sua livre vontade.

Pensamos que não será fácil alguém ajoelhar-se perante um santo deste calibre. No entanto desejamos-lhe a mais bela vida na residência celestial, ao lado do seu amigo e protector João Paulo II, que lhe consagrou a seita como Prelatura pessoal, isto é, fez dela uma igreja dentro da igreja.

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