Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
As remunerações dos conselheiros ministeriais explodem!
(continuação)
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II
Notas de René Dosière, traduzidas por Júlio Marques Mota.
Quarta-feira 29 de Outubro de 2014
Remunerações chocantes nos gabinetes ministeriais
A recente publicação do documento consagrado “aos efectivos dos gabinetes ministeriais” (datado do 1º de Agosto) é particularmente interessante. Esta tem indicações sobre as remunerações recebidas por 333 membros de gabinete (ou seja 74% dos agentes em funções) e sobre as indemnizações por funções específicas (ISP) recebidas por 286 agentes (em que alguns figuram no 333 evocados acima). Por conseguinte procedi à uma análise, ministério por ministério, o que faz aparecer os elementos seguintes.
1) Em relação ao governo Ayrault (2013), as remunerações no governo Valls (2014) estão aumentado fortemente : +7,1% para a remuneração bruta média de um agente e +4,3% para as indemnizações de funções específicas . Em contrapartida no gabinete do Primeiro-ministro, o aumento das remunerações é muito mais limitado e tendo em conta a baixa das indemnizações, a remuneração total de um membro de gabinete do Primeiro- ministro reduz-se de 1,3%. Atinge assim 13.134 euros.
2) Em 4 ministérios (sobre 10) a remuneração média (com exclusão dos prémios) é superior à 9000 euros mensais. Em 2013, esta proporção era duas vezes mais fraca Inversamente, num ministério sobre dez, a remuneração é inferior à 7000 euros, contra 3 sobre 10 no governo anterior, o de Ayrault.
3) Contrariamente à regra aplicada Elysée e Matignon, onde nenhum colaborador ganha mais que o Presidente (ou o Primeiro Ministro) em 19 ministérios (ou seja 61%) a remuneração média dos membros de gabinete é superior à do ministro. Se a regra presidencial se aplicasse, realizar-se-ia uma economia de 3,8 milhões de euros que correspondem a 11% do total das somas pagas (remunerações globais).
4) O nível das remunerações nos gabinetes ministeriais é demasiado elevado. Sobretudo, o aumento destas remunerações é chocante. Enquanto que o governo impõe aos franceses esforços de rigor, os membros dos gabinetes ministeriais não poderiam ficar dispensados destes mesmos esforços.
Renovo a minha proposta: nenhum membro de gabinete deveria receber uma remuneração superior à de um ministro
PS: Pedi a 5 de Agosto de 2014 a cada ministro o montante das três remunerações mais elevadas e das três remunerações menos elevadas do seu gabinete. Até à data, recebi 2 respostas. Quando tiver as outras respostas, poderei melhorar e precisar esta análise das remunerações nos gabinetes ministeriais.
Para consultar a análise que teno estado a realizar veja-se : COLOCAR LINK
Les-rémunérations-dans-les-cabinets-ministeriels 2014
Terça-feira, 28 de Outubro de 2014
Efectivos dos gabinetes ministeriais em 2014: MENOS OU MAIS?
O tradicional anexo orçamental consagrado “aos efectivos dos gabinetes ministeriais” acaba de ser publicado. A imprensa não deixou de sublinhar a redução dos efectivos. É exacto, mas esta diminuição é, exclusivamente, devida ao facto da baixa do número de ministros (37 no governo Ayrault do 1º de Agosto de 2013, 31 no governo Valls no 1º de Agosto de 2014). De facto, um estudo mais aprofundado, ao qual entreguei-me, mostra que os efectivos (civis) dos gabinetes existentes alteraram-se muito pouco.
Evolution globale des cabinets ministériels 2013-2014
(continua)
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Ver o texto de Michel Revol publicado ontem em A Viagem dos Argonautas. Ver também:


