Acabou-se o tempo em que valeu o princípio, São todos inocentes até prova em contrário. Tantos e tão graves são os crimes dos agentes históricos dos três poderes, o religioso, o político e o económico-financeiro, que a partir de agora, tem de passar a valer o princípio, São todos culpados até prova em contrário. A presunção de inocência tem de deixar de ser a regra, para ser a excepção. Qualquer investigação aos agentes históricos do poder que se queira séria, é deste novo princípio que tem de partir. Não há agentes históricos do poder de mãos limpas. Cabe-lhes, por isso, provar que estão inocentes Fica então decretado – é o bom senso a prevalecer – que, até prova em contrário, todos os agentes históricos do Poder são culpados de crimes de corrupção e de outros crimes igualmente graves. Esta mudança de visão das coisas e de postura representa, em si mesma, uma revolução política, cultural e, sobretudo, teológica, os três pilares fundamentais em que assenta uma sociedade que se queira saudável e humana. Na raiz de toda a sociedade, anda sempre, mas sempre, uma teologia escondida. Até agora, tem sido uma teologia idolátrica. O conceito Deus enche as bibliotecas de todo o mundo e anda nas bocas de todas as populações e povos. Sempre nos quiseram convencer que uma sociedade sem Deus, depressa se transformaria na pior das selvas, com as pessoas a comer-se umas às outras. Só que este é precisamente o tipo de mundo em que hoje vivemos. Comemo-nos uns aos outros. Porque, embora o conceito Deus seja um só, sempre temos sido levados a esquecer ou a ignorar que, subjacente ao conceito Deus, pode estar, e está, até prova em contrário, um ídolo, um falso Deus. Pelos frutos que este tipo de mundo do poder tem produzido, temos de concluir que o Deus que lhe está subjacente, não só é mentiroso e assassino, como é o pai da mentira e do assassínio. Mudar de Deus, é preciso, imperioso, urgente. Do Deus que sempre tem fundamentado e abençoado os agentes históricos do poder, para o Deus de todas as vítimas. Quem se atreve a semelhante revolução?
22 Novº 2014

