o elétrico, avenida abaixo
no tapete de carris, entre as mãos das árvores.
tim-tim, tim-tim, tim-tim até ao molhe cinzento.
eu precisava, sempre, de duas moedas:
uma para os matraquilhos
outra para a máquina que tinha os Beatles lá dentro.
o vinil pedia: – Don’t let me down!,
mas os anos têm sapatilhas insensíveis, velozes
e planos difusos para todos os depois.
era sempre julho na minha praia.
crescia-se, ao ritmo das ondas, com o sol pendurado nos sorvetes
e olhos pousados nos corpos das Dulcineias.
os rochedos eram castelos bordados pelas algas.
os amigos eram um grupo de circunstância que falava de amor,
de música e das possibilidades de sonhar.
o Gilreu olhava-nos como se fôssemos náufragos adiados.
resistíamos.
sobre a areia, todas as manhãs, a mãe construía uma casa.



amigo, é tão bom “viajar “nos eléctricos da nossa infância!Está tudo lá, resignadamente , em silêncio, mas a magia mantém-se…Quem diria que o Gilreu ainda poderia assistir a estas “escavadelas” no passado?! Sempre surpreendentes e deliciosas as suas metáforas!…