NESTE DIA… 4 de DEZEMBRO de 1875, nasceu RAINER MARIA RILKE

Neste dia... - João - II

 

Rilke em Moscovo, pintado por Leonid Pasternak, dois anos depois da sua morte.
Rilke em Moscovo, pintado por Leonid Pasternak, dois anos depois da sua morte.

 

René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke nasceu em Praga, capital da Boémia, que na altura fazia parte do império austro-húngaro. O pai, oriundo da região dos Sudetas,  era funcionário dos caminhos de ferro, e a mãe, uma senhora de ascendência alemã, com pretensões na sociedade. As tensões entre os dois eram constantes, repercutindo-se no filho, e separaram-se quando Rilke tinha apenas 9 anos. Foi matriculado numa escola militar, que frequentou durante alguns anos, e deixou por falta de saúde e não sentir vocação a vida castrense. Já nessa altura manifestava gosto pelo isolamento e por escrever. Com o apoio de um tio, que lhe reconhecia as capacidades, frequentou a escola de comércio e as universidades de Munique e de Praga, onde estudou literatura, história da arte e filosofia. Datam já desta altura as suas primeiras obras, como Larenopfer (Oferendas aos Lares, 1895), uma homenagem em verso à sua cidade natal e Zwei Prager Geschichten (Duas Histórias de Praga, 1899), reflexo dos conflitos sociais e políticos na Boémia, entre a população checa e a elite alemã. Em 1897 conheceu Lou Andreas-Salomé, uma senhora mais velha catorze anos, de grande cultura e experiência, que exerceria uma  influência decisiva sobre a sua vida pessoal e artística.  Inclusive convenceu-o a mudar o primeiro nome, de René para Rainer.

Rilke, a partir dos vinte e dois anos, terá levado uma ”vida de judeu errante” (a expressão é de Bernard Halda) até ao fim dos seus dias. Visita a Itália e a Rússia. Em 1901, casa com a  escultora Clara Westhoff, e vive algum tempo numa colónia de artistas em Worpswede, na Alemanha. Nasce a sua filha Ruth. Em 1902, passa algum tempo em Paris, a trabalhar na biografia de Rodin, de quem Clara tinha sido aluna. Entretanto, Wolfgang Leppmann (1922-2002), num texto sobre Die Weise von Liebe und Tod des Cornets Christoph Rilke (A Canção de Amor e Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, 1906), descreve vários episódios decorridos na altura  da publicação da obra, e depois em apresentações a que Rilke não se terá conseguido esquivar, que mostram bem que já era reconhecido na altura, sendo até disputado pelos editores, e requerido. Durante a Primeira Guerra Mundial, esteve colocado em serviços auxiliares, tendo evitado escrever textos propagandísticos que lhe solicitavam.

Edmond Jaloux (1878-1949), escritor e crítico francês, que, segundo Bernard Halda, terá sido quem mais contribuiu para que Rilke fosse conhecido em França, escreveu sobre ele o seguinte: ”Tem todas as prerrogativas apenas ligadas, segundo parece, ao conceito de solidão, pois sendo checo de origem carintiana, austríaco nascido em Praga, e desde muito cedo casado, e pai, e avô; apesar de crescido numa família de zelosos funcionários, e ser cristão por educação, viveu sempre como se não tivesse pátria, nem família, nem posteridade, nem sequer religião, e assim procedeu uma vida inteira votada quase por completo ao amor, à amizade e a Deus. E apesar de ter sido, de igual forma, amante, apaixonado ou místico, foi tudo isto no mesmo estado de solidão total que ninguém penetrou o bastante, segundo parece, para lhe compreender a causa.”*

Rilke_Signature

Para além das obras já acima citadas, refira-se que Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge (Os Cadernos de Malte Laurids Brigge, 1910) Duineser Elegien (As Elegias de Duíno, 1922), Sonnette an Orpheus (Sonetos a Orfeu, 1922), assim como Briefe an einen jungen Dichter (Cartas a um Jovem Poeta, dirigidas a Franz Xaver Kappus, que as publicou em 1929), serão as obras mais famosas de Rilke. Para completar, propomos que vão ao link da Poetry Foundation:

http://www.poetryfoundation.org/bio/rainer-maria-rilke

Rilke faleceu a 29 de Dezembro de 1926, no Sanatório de Valmont, na Suíça, devido a leucemia.

*A Hiena Editora publicou em 1991 a tradução que Cecília Meireles fez de Die Weise von Liebe und Tod des Cornets Christoph Rilke (A Canção de Amor e Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke), com dois textos introdutórios de Bernard Halda, sobre o qual não conseguimos encontrar informações, e de Wolfgang Leppmann, que, ao que conseguimos apurar, terá sido um distinto germanista, e autor de uma biografia de Rilke: Rilke, sein Leben, seine Welt, sein Werk.

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