FRATERNIZAR – Ainda o caso da paróquia de Canelas, VN Gaia – por Mário de Oliveira

001

Conselho Presbiteral sem contraditório e com VP, voz do dono!

www.jornalfraternizar.pt.vu

 

 Qualquer eclesiástico católico, à excepção de uma significativa parte dos católicos de Canelas, achará normal que o Conselho Presbiteral (CP) da Diocese do Porto, na sua primeira reunião, depois dos escândalos ocorridos naquela paróquia de VN de Gaia, e ainda não superados de todo, tome partido. E que esse seu tomar partido seja pelo Bispo, do qual canonicamente depende. Até porque o CP não é um órgão deliberativo, apenas consultivo, ou o Poder do bispo diocesano não fosse monárquico, ainda que vassalo do poder monárquico absoluto do papa, bispo de Roma. Já não assim, qualquer mulher, homem não eclesiástico, simplesmente humano, como deverão ser todas as mulheres, todos os homens. Porque tudo o que vai além disso, é pecado, anti-humanidade, em última instância, anti-Fé e anti-Teologia, as de Jesus, que nos remetem para Deus Abba-Mãe de todos os povos por igual, e que nunca ninguém viu.

Ora, pecado, e grave, é o que acaba de cometer o Conselho Presbiteral da Diocese do Porto e o semanário VP, órgão oficioso da Diocese, cada vez mais voz do dono. Na sua edição de 3 de Dezembro 2014, VP dedica a quase totalidade da primeira página ao assunto. Titula, a toda a largura da página, “Conselho Presbiteral da Diocese analisa situação em Canelas”. Ao mesmo tempo, planta duas fotografias, uma sobre a outra, a três colunas das cinco em que se divide aquele destaque da página. Na fotografia superior, mostra a mesa, presidida pelo bispo titular, com o bispo auxiliar D. Pio, ao seu lado direito, e o novo pároco de Canelas, ao seu lado esquerdo, integrada num plano que mostra também algumas cadeiras mais próximas. Na fotografia inferior, a mesma realidade, mas, agora, só com a mesa, onde sobressaem bem mais, o bispo D. António Francisco, ex-Bispo de Aveiro, o bispo auxiliar, D. Pio Alves, ex-Administrador Apostólico da Diocese do Porto, e o novo pároco de Canelas, Pe. Albino Reis. Ao fundo, sobre a toalha que cobre a mesa, sobressai a negrito a legenda, “O Padre Albino Reis foi convidado a apresentar os acontecimentos vividos por ele em Canelas”.

O texto que acompanha as duas fotografias abre com uma breve informação sobre o Conselho Presbiteral e passa, de imediato, à transcrição integral do Comunicado, da responsabilidade daquele órgão diocesano que, de correcto, tem apenas o nome, Conselho Presbiteral, não, como seria de esperar, Conselho Sacerdotal, uma vez que as igrejas diocesanas ordenam presbíteros, mas, depois, passam a vida a chamar-lhes sacerdotes e a confiar-lhes serviços próprios dos sacerdotes, de proveniência religioso-pagã e bíblica (Primeiro Testamento), sem qualquer fundamentação em Jesus, o filho de Maria, o camponês-artesão de Nazaré que nunca foi sacerdote, nunca presidiu num altar, nunca rezou missa, nunca foi clérigo, apenas ser humano, em tudo igual aos demais seres humanos, excepto no pecado da idolatria, em que, por sinal, são reincidentes, por toda a vida, os párocos e os bispos. Para sua vergonha e seu mal. E vergonha e mal da sociedade/ humanidade.

Como facilmente se deduz do que fica escrito, nesta reunião ao mais alto nível da Diocese, não esteve presente o anterior pároco de Canelas, Padre Roberto Carlos Nunes de Sousa, cujo nome é referido no Comunicado, ao jeito de admoestação, sob a farisaica forma de “veemente apelo”. Onde se faz questão de lembrar e tornar público que ele foi “benevolamente acolhido no presbitério do Porto”, precisamente, o mesmo que aqui lhe faz saber “que não se revê nestes [seus] comportamentos, para que faça tudo o que está ao seu alcance no sentido de se restabelecer a paz e a normalidade de uma comunidade cristã, evitando o que possa ocasionar perturbação e discórdia.” Tão pouco, esteve presente no encontro, alguém leigo, indivíduo ou grupo, da paróquia de Canelas que pudesse fazer o contraditório e informasse o Conselho Presbiteral sobre o que lá se passou até o pároco anterior deixar de o ser. E que levou a esmagadora maioria da população a protagonizar as cenas que se têm visto nas tvs, manifestamente, manipuladas por interesses outros, que não os eclesiais, muito menos, os evangélicos.

A primeira página de VP inclui ainda, quase em jeito de rodapé, 4 colunas com outros tantos títulos, cada um dos quais suportados por um pequeno texto. Acontece que o primeiro desses 4 títulos e respectivo texto é um brevíssimo “Comunicado da Diocese do Porto”, a “negar a veracidade da notícia que faz capa na edição de hoje [1 de dezembro de 2014] do Jornal de Notícias (JN), com o título – «PJ investiga denúncias na Diocese do Porto» E acrescenta: “Conforme o JN foi devidamente informado, é totalmente falso que a Polícia Judiciária tenha levado computadores da Diocese do Porto ou qualquer tipo de documentos, aliás, a PJ nunca esteve em momento algum nas instalações da Diocese do Porto.”

 Aos olhos de quem não é eclesiástico católico ou protestante, nem é clérigo nem leigo, apenas simplesmente humano, como Jesus Nazaré, todo este comportamento da diocese, do Conselho Presbiteral, da VP, mais o tipo de linguagem utilizada, tão fora da linguagem secular e pós-cristã que é, hoje, o falar-escrever das mulheres, dos homens deste início do terceiro milénio, cheira a Idade Média que tresanda, apresenta-se eivado de clericalismo e de farisaísmo, que chega quase a causar vómitos. Decididamente, as igrejas cristãs, a começar pela católica romana e a acabar na mais recente igreja protestante, são constituídas por gente que vive numa sociedade paralela à sociedade civil e nunca chega a encontrar-se com esta. E, sempre que se aproxima dela, é para a atropelar, uma vez que é incapaz de se posicionar ao mesmo nível humano, sempre vem de fora e de cima, na pose de os puros, os santos, os da moral, os da Bíblia e do Deus da Bíblia, o Poder, hoje sobretudo financeiro, com o religioso a dar cobertura aos seus horrendos crimes, e o político a executar as suas ordens e a impor às populações as suas leis.

Perante toda esta desgraça, apetece parafrasear Jesus e dizer, Ai de vós, igrejas, que devorais as casas das viúvas, a pretexto de prolongadas orações; ai de vós, igrejas, que pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho e desprezais o mais importante da Humanidade: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! Ai de vós, guias cegos, semelhantes a sepulcros caiados: formosos por fora, mas por dentro, cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de imundície. Assim também vós: por fora, pareceis justos aos olhos dos outros, mas por dentro, sois cheios de hipocrisia e de iniquidade” (cf. Mateus 23). Foi assim este encontro do Conselho Presbiteral, o mesmo que produziu um Comunicado sobre o “caso de Canelas”, carregado de subserviência ao bispo titular, sob a presidência do qual esteve reunido, sem qualquer contraditório, constituído por clérigos vassalos de um bispo que, por sua vez, é vassalo do papa, bispo de Roma, o poder monárquico absoluto e infalível. De semelhante instituição e das suas congéneres protestantes, acham que se pode esperar algo de verdadeiramente bom para a Humanidade?!

1 Comment

Leave a Reply