NESTE DIA…

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NESTE DIA… Em 15 de Dezembro, nasceram o imperador romano Nero (37-68), o arquitecto e engenheiro francês Eiffel (1832-1923) e o arquitecto brasileiro Niemeyer (1907.2012), três homens que além de terem nascido no mesmo dia de anos diferentes, tinham também em comum o seu interesse por cidades  – Nero que gostava de ver cidades a arder, Gustave Eiffel que concebeu o actual ex-libris de Paris e Oscar Niemeyer que projectou uma capital. Vamos homenagear Niemeyer publicando de novo um artigo do argonauta e arquitecto José Brito Guerreiro (que sairá logo após este post) .

E um poema do saudoso argonauta professor Sílvio Castro

(antecedido de uma nota enviada aos coordenadores deste blogue).

Meus parabéns pela homenagem a Niemeyer da edição do blog do dia 15! Fiquei particularmente contente por encontrar nas páginas de um dos meus mais caros amigos de infância, Bruno Contarini, atualmente um dos mais importantes engenheiros calculistas, na linha do inesquecível Joaquim Cardozo. Bruno e eu frequentamos o ginásio e o científico do Colégio São José, dos Irmãos Maristas, no Rio. Quando dos três anos do Curso Científico, ele e eu tínhamos um pacto para as provas escritas mensais e para os dois exames escritos de cada ano: ele me passava as duas, em três mais difíceis (para mim…) das provas de matemática; eu o salvava dos problemas ligados aos exames de Português (e Literaturas). Sobre essa grande amizade escrevi um poema no qual figura o engenheiro Bruno Contarini, meu amigo que não vejo que são anos…Mando o poema em anexo a este mail.

(O Professor Sílvio Castro referia-se ao depoimento de Bruno Contarini sobre Niemeyer num dos excertos do filme A Vida é um Sopro, de Fabiano Maciel).

“O ENGENHEIRO”

O engenheiro sonha coisas claras;

com mil intrumentos as transforma

em geometria vária que tudo toca,

a água, o vento, a claridade,

a curva, a esfera, o triângulo,

o cubo repousado no seu ângulo.

Le Corbusier calcula engenheiro

a economia da casa para o homem

pronto para sua casa onde morar;

o engenheiro cria a própria estética

geométrica que seus olhos gozam,

junto ao espírito que em delícias

com a matemática goza primícias.

Engenheiro é Joaquim Cardozo

que calcula o ambular dos ventos

e os convoca em congresso

nos altiplanos de Brasília,

calculando a grande ventania

entre os volumes navegantes,

edifícios do hoje sempre distante.

Engenheiro é Bruno Contarini

que comigo vem de longe;

então ele calcula para mim

todos os enigmas dos números

e eu lhe passo como em compasso

o claro leve e largo espaço

de um soneto de Camões.

(Sílvio Castro, in Poemas Construtivos,

Rio de Janeiro, 2007)

 

 

 

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