Senhor Ministro (Laurent Fabius, Ministre des Affaires Etrangères et du Développement International):
Tomámos conhecimento pela imprensa, do projecto de fechar o Institut français du Portugal em Lisboa e da decisão da mudança de parte da equipa actual para a Embaixada de França.
Tomámos conhecimento também de que, no Porto, a Antena do Institut français e o Consulado de França irão fechar em 2015.
Se estes projectos se vierem a confirmar, assistiremos ao desaparecimento programado da rede de cooperação e de acção cultural da França em Portugal.
Extinta a presença francesa no Porto, fechar o Institut français de Lisboa equivale, a fechar o último lugar emblemático da difusão da língua e da cultura francesas em Portugal.
Inaugurado em 1984, o Institut français festeja este ano os seus 30 anos. Trinta anos ao longo dos quais numerosas personalidades – artistas, escritores, políticos, cientistas, cineastas – fizeram brilhar e deram vida a este Instituto. Ao longo dos anos tornou-se a referência e o símbolo da vitalidade da ligação entre França e Portugal.
O que V. Exª tenciona fechar, Senhor Ministro, é um espaço único que tem no seu seio: um Auditório com 270 lugares equipado para as artes de palco e cinema, uma Mediateca, cursos de línguas da Alliance française, uma livraria francesa, um restaurante, um espaço de exposição que promove um grande número de artistas emergentes, uma Agência para a promoção do Ensino superior CampusFrance, uma Agência para o desenvolvimento turístico Atout France e muitas outras associações entre as quais a Associação Portuguesa dos Professores de Francês.
O que é referido diz respeito a uma mudança de instalações do Institut françaispara a Embaixada de França para o local onde inicialmente foi criado em 1937,“retomando assim uma tradição histórica”.
O actual espaço do Institut français du Portugal será colocado à venda: uma parte do pessoal despedida e perdidas as mais-valias existentes.
Se este projecto se vier a confirmar, não se trata de “retomar uma tradição histórica” mas sim de uma verdadeira regressão histórica!
Será sem dúvida o fim de um centro cultural rico em vivências, com sinergias fecundas no seio do qual cada uma das entidades é uma mais-valia para todas as outras, o que não poderá acontecer nos novos locais, tendo em conta a falta de espaço existente.
Enquanto que o Institut français está situado na proximidade das Universidades, da Biblioteca Nacional, da Fundação Calouste Gulbenkian, do Liceu francês Charles Lepierre e de várias salas de cinema, a Embaixada de França está, num bairro com menos transportes, sem auditório e sem espaço suficiente para acolher uma Mediateca.
O que é apresentado como uma simples mudança de instalações é na realidade o anúncio do fim do Institut Français como um espaço aberto de intercâmbios… o fim de um espaço caloroso, um local de recursos, de saberes e de cultura.
Senhor Ministro, sabemos quanto lhe é cara a diplomacia de influências, a decisão de fechar o actual local do Institut não irá no sentido inverso da nossa história europeia assim como da relação privilegiada entre a França e Portugal?
E porquê Portugal? Quando no Sul da Europa existem 5 Institutos em Espanha, 2 na Grécia, 4 em Itália…
Lisboa é uma capital europeia eminentemente francófila. Tomar a decisão de fechar o Institut Français nesta cidade em nome apenas de uma racionalização económica seria um erro estratégico e contribuiria para dar uma imagem extremamente negativa da França na Europa e mesmo na esfera de influência de Portugal. A título de comparação e apesar da grande crise que atravessa, Portugal ainda não equacionou o fecho do Instituto Camõesem Paris.
Lamentamos sinceramente que em momento algum se tenham colocado as verdadeiras implicações do desmantelamento da presença cultural francesa em Portugal nas relações entre os nossos dois países, que nenhum debate tenha sido levado a cabo sobre esta matéria.
Na Alemanha, um projecto de mudança semelhante do Institut français de Berlim para a Embaixada de França ficou sem efeito graças à mobilização do público e à sensibilização das autoridades públicas. Esperamos vivamente que o mesmo venha a acontecer com Portugal.
Nós, cidadãos interessados, público curioso, amigos do Instituto, francófilos, francófonos, escritores, artistas, cineastas, professores, cientistas, homens e mulheres políticos…
Apelamos a que as nossas vozes sejam ouvidas e que o projecto de fecho do Institut français du Portugal – Avenida Luis Bivar, seja abandonado assim como o programa dos despedimentos que o acompanha.
Para assinar a petição :
https://www.change.org/p/sauvonsifp?utm_campaign=responsive_friend_inviter_chat&utm_medium=facebook&utm_source=share_petition&recruiter=68497557

Inclassificável recuo da cultura francesa face ao quase omnipresente domínio do inglês.
O institut não vai fechar, vai ser transferido na embaixada francesa de Lisboa, num espaço reservado, muito bonito com acesso ao jardim. Alias na origem, foi criado na embaixada.