Ontem, perto de St. Louis, no Missouri, foi abatido mais outro jovem de cor por um agente policial. A polícia alega que ele terá tentado usar uma arma, antes do agente ter disparado. A família declara não acreditar nessa versão. Há dias, um indivíduo, ao que parece com antecedentes psiquiátricos, em Nova Iorque, emboscou e matou dois polícias. Parece que estamos perante uma guerra, que vai em crescendo, e não se sabe onde vai parar. Os protestos contra este tipo de situações vão continuar. Mas não faltará quem responsabilize os seus responsáveis pela continuação da violência.
Estas situações nos Estados Unidos decorrem claramente dos problemas do passado recente daquele país. A violência e o racismo, omnipresentes no processo histórico que levou à formação daquela nação, não têm sido devidamente contidos e ultrapassados. Entretanto, o enorme poder militar que adquiriu permitiu ao país tornar-se na principal superpotência mundial, presentemente sem rival que possa pôr em causa essa supremacia, pelo menos a curto prazo. Embora os norte-americanos se procurem apresentar como um modelo de liberdade e democracia, a enorme visibilidade que os EUA têm (com muitos condicionantes, que vão sendo conhecidas, como o caso Snowden), à escala mundial, faz com que estes casos mostrem as enormes contradições que têm entre si, com graves repercussões na vida das pessoas e da sociedade em geral. A diferenciação social parece agravar-se (veja-se o que se passa no respeita à crescente precarização no trabalho), e a agitação social aumenta. A violência policial não é novidade nos Estados Unidos, mas parece ser um fenómeno a agravar-se, podendo falar-se de haver falta de cuidado na prevenção de situações como as que se têm verificado.
Claro que o problema não é exclusivo dos Estados Unidos. Uma onda de violência parece querer dar a volta ao mundo. O agravamento do jihadismo, por exemplo, tem causas regionais, como o empenho de Israel em expulsar os palestinianos das suas terras, ou a persistência de ditaduras em alguns países da região. Mas também tem causas ao nível planetário, como o prova haver tantos jovens, de várias zonas do mundo, alguns que nunca tiveram nada a ver com o islamismo, a acorrerem a engrossar as fileiras de uma força tão retrógrada e anti-democrática.

