CANÇÃO DO HOMEM – por César Príncipe

   

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Que letra para Fernando

Que música para Graça

Que prometeu

Desde os 14 anos

Estar connosco

Vivo ou morto

Sempre ao Piano e a reger o Coro

Ele

Toda uma vida

Noite e dia

Na sua Chaimite de teclas

A disparar a paz e a justiça

E a liberdade

Lançadas

Como pétalas

Como projécteis

No seguro correr dos dedos

Incentivando

Juntando-se

Às demais armas

Que escoltam a face limpa das pátrias

Em cada volta e revolta da Terra

Em Todas as Idades do Homem

No acordar do mundo a cada hora

Desde o passado mais esquecido

Que faz o nosso presente ter sentido

Depois das Heróicas e do Requiem

E das Canções Populares Giacometti

E Debussy e Bartók e Rostropovich

E de grandes poetas de tanto século

Que letra

Para a Música da Janela do Capítulo

Donde se canta para todo o universo

Que letra

Para o Cidadão

Mais Forte do que o Forte de Caxias

Vozes ao alto

Vozes ao alto

Acaba de entrar

Fernando

Lopes-Graça

Saiu da última prisão

Ao sol desta canção

Vozes ao alto

Vozes ao alto

Nesta praça

Nesta sala

Neste palco

 

César Príncipe

 

 

  • No dia 20 do corrente, assinalou-se, no Salão Nobre da Câmara de Matosinhos, o 20º aniversário do falecimento de Lopes-Graça e o 108º do nascimento. Na evocação, além de outras vozes, intervieram o Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música e o Coral de Letras da Universidade do Porto. Integrada neste ciclo, manter-se-á, no átrio do edifício camarário, até 9 de Janeiro, uma exposição sobre o homenageado, constando de uma série de painéis, com textos de Alexandre Bravo Weffort, Ana Bela Chaves, António Cartaxo, Arquimedes da Silva Santos, Artur Pizarro, Aurélio Santos, César Príncipe, Domingos Lobo, Fausto Neves, Filipe Dinis, Glória Maria Marreiros, José Eduardo Martins, José Luís Borges Coelho, José Robert, Mário Vieira Carvalho, Olga Prats, Romeu Pinto da Silva, Teresa Cascudo, e fotos de Museu da Música Portuguesa, da Academia de Amadores de Música, de Armindo Cardoso, Eduardo Gageiro, Luísa Duarte. A ocasião também foi marcada pela apresentação de 24 livros (Canções Populares) e um livro/cd (Canções do 25 de Abril/13 canções Heróicas), este último com canto de Celeste Amorim e interpretação pianística de Madalena Sá Pessoa, primeira grande antologia da obra do autor, sem dúvida, um dos vultos musicais do século XX na Europa (síntese do popular e do erudito, ao lado de Bartók e Falla), para além de ter sido e continuar a ser um exemplo de cidadania a toda a prova.

                                       

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