REFLEXÃO – A FUNÇÃO SIMBÓLICA DA OBRA DE ARTE- por Adão Cruz

 

A obra de arte, para além do seu papel de imagem, possui uma função simbólica cuja inteligibilidade requer um certo saber subjacente, alguma elaboração do sentimento artístico como expressão de uma certa especificidade cultural. O quadro encerra uma multiplicidade de sentidos cuja maior ou menor  apreensão depende da formação do criador e do observador, bem como da informação armazenada na memória. A obra de arte participa de uma forma de comunicação em que a individualidade do criador e do contemplador se conjugam, ocupando um lugar central. Assim, a contemplação de uma pintura mobiliza o mais elevado grau da hierarquia cerebral, dado que na essência da harmonia estética, já ninguém duvida que está o equilíbrio entre a razão, o pensamento e uma forma especial de sensualidade.

1 Comment

  1. Se função simbólica (libidinal) não for confundida com função identitária (etno-histórica), mais ou menos académica e retoricamente especializada como ramo ensaístico da especulação filosófica, exercido por ‘críticos’ e ensinado nos Departamentos de História de Arte, e se por função simbólica for entendida a pré-condição da experiência da beleza que reside nos corpos emocionados e, por extensão, pode ser projectada nas cores, nas formas, nas paisagens, nos animais e nos objectos, dando origem a espaços e seres transcendentais alvo de emoções religiosas, associadas aos códigos do inconsciente (investigados, desde Freud por quem sabe que eles pre-existem à consciência académica que ensaia escotomizá-los) – então, estamos perto de poder partilhar experiências, investigações e discursos.

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