EDITORIAL – O “RISCO MORAL” DE SE VIVER COM MAIS DE 72 EUROS POR MÊS

Vai entrar novo ano. De muito se poderia falar e de muito já se logo editorialfalou. Fixemo-nos naqueles que ficarão dependentes de subsídios do Estado. E, certamente, de esmolas dadas por individuais e bancos alimentares… Porque não será com 72 euros por mês que uma pessoa vive. Na apresentação do Orçamento do Estado para 2015, foi  anunciado um “tecto” para as prestações sociais para evitar que houvesse famílias a receber entre abonos, subsídios e outras ajudas do Estado somas que podiam chegar aos “950 euros por mês”.  Isto iria implicar uma poupança de um total de 100 milhões de euros…

Foi considerado um “risco moral”, pela possibilidade de ser um desincentivo ao trabalho. Por falta de resposta por parte dos organismos estatais, o jornal “Publico” solicitou  à Misericórdia de Almada um estudo das situações em acompanha.  Concluíram que : “Apenas oito apresentam um acumulado de apoios sociais superior a 700 euros, 2% do total de famílias beneficiárias” o que,  sendo famílias numerosas,  implica em média, 70 euros por pessoa por mês. Aqui estão como vivem bem estas famílias, como lhes temos que baixar os rendimentos!

Os membros do governo parecem viver numa outra realidade. Será por cinismo que nos passam essa mensagem? Será por alienação pura. Aparecem-nos com um optimismo, confiança e esperança no futuro, sem corrupção, com níveis de desemprego baixos, sem a emigração ser um problema sem miséria e fome, em que o apoio social é o necessário, em que o SNS e a  Educação são as necessárias… Serão mundos paralelos?

Estudos do dia internacional da pobreza (Pordata) indicaram que um em cada quatro portugueses está em risco de pobreza e que quem recebe o salário mínimo ganha menos 12 euros do que em 1974 (descontando a inflação). Eis o novo ano de 2015.

 

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