Os grandes males dos predadores da humanidade, como o egoísmo, a segregação, a maldade, a ambição e a ganância são os ingredientes do grande caldo da competitividade, do culto da eficácia que mais não visa do que manipular homens com etiquetas de preço e comportamentos negociáveis, para fazer do cidadão um cliente desprovido de razão, vontade e emoções, tão desmiolado e rentável quanto possível. Para isso, os poderosos apropriaram-se da maior de todas as armas, a grande arma dos déspotas, a comunicação social, a informação, melhor dizendo, a desinformação. Os meios de comunicação servem os fins políticos e económicos, por isso são um instrumento de poder. A informação como formação já não existe, passou a ser praticamente desinformação, e a desinformação arrasta para a desigualdade, facilita a injustiça e acelera a segregação. Tudo o que a informação globaliza torna-se virtual. As ideias transfiguram-se na magia da electrónica, robotizando o indivíduo e impedindo-o de encontrar pontos de referência na reflexão política e social. A omissão, a falsificação, a mentira, a vulgar deturpação dos factos conforme os interesses, constituem, hoje, a grande arma dos senhores do poder, bem mais mortífera do que as bombas e canhões. Estes matam o homem, a desinformação mata o homem e a ideia.

