EDITORIAL – LOBOS E CORDEIROS

logo editorialSe alguma coisa de positivo se pode encontrar na tragédia de Paris, e pese embora o tom geral de justificado repúdio pelo criminoso acto de um inaceitável   fanatismo islâmico, é o de registarmos um elevado número de artigos de opinião em que, sem deixar de se condenar o crime, se recordam outros crimes, porventura mais graves – os bombardeamentos israelitas sobre Gaza, matando civis inocentes e indefesos, é um crime hediondo que justificaria marchas, manifestações, minutos de silêncio… O assassínio de  12 pessoas é um crime que não transforma os assassinos de milhares de seres humanos em pacíficos cordeiros.

 

Na “marcha republicana”, entre dezenas de políticos vindos de todo o mundo, lá pudemos ver numa das primeiras filas, Banjamin Netanyahu, uma das principais figuras responsáveis pelo genocídio que o fanatismo hebraico está a levar a cabo na Palestina. E é a ocupação judaica da Palestina o factor mais importante na fermentação do ódio islâmico. Aquele que transforma homens normais em assassinos que punem cartonistas com a morte.

Sem aceitar como boas as «teorias da conspiração» que apontam as centrais de espionagem do Ocidente como organizadoras do ataque ao Charlie Hebdo – embora também não devam ser liminarmente postas de parte – não há dúvidas que o massacre constitui uma peça de grande valor na criação de um clima politico favorável à justificação do prosseguimento do crime contra os palestinianos.

1 Comment

  1. Este episódio duma criminalidade extrema faz lembrar aquele que, sob o disfarce de brigadas vermelhas, matou Aldo Moro e todos os seus companheiros. Qual foi o desta vez?CLV

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