Se alguma coisa de positivo se pode encontrar na tragédia de Paris, e pese embora o tom geral de justificado repúdio pelo criminoso acto de um inaceitável fanatismo islâmico, é o de registarmos um elevado número de artigos de opinião em que, sem deixar de se condenar o crime, se recordam outros crimes, porventura mais graves – os bombardeamentos israelitas sobre Gaza, matando civis inocentes e indefesos, é um crime hediondo que justificaria marchas, manifestações, minutos de silêncio… O assassínio de 12 pessoas é um crime que não transforma os assassinos de milhares de seres humanos em pacíficos cordeiros.

Este episódio duma criminalidade extrema faz lembrar aquele que, sob o disfarce de brigadas vermelhas, matou Aldo Moro e todos os seus companheiros. Qual foi o desta vez?CLV