Estiveram presentes presente na “Marcha Republica”, este domingo em Paris, uma espécie de G20 alargado a alguns representantes fantoches de regimes totalitários.
Desde logo, porquê uma marcha “republicana” e não uma marcha “pela liberdade de expressão”? O próprio slogan publicitário “somos todos Charlie” esvazia qualquer discurso ou questão incómoda. Não estão aqui em questão os milhares de pessoas que genuinamente integraram esta marcha, mas sim o aproveitamento mediático e político da mesma. Presentes nesta marcha temos países em que a liberdade de expressão jornalistica ou em blogues é sistematicamente controlada e reprimida: Turquia, Rússia, Argélia, Egipto, Gabão, Emiradso Árabes Unidos,… Nem sequer vale a pena referir a presença de Israel e a “obrigação” da representação da autoridade palestiniana.
Se o objectivo era denunciar a violência dos terroristas islâmicos, então deveria-se reflectir sobre o financiamento e armamento de extremistas pelos Estados Unidos, por exemplo no Afeganistão para lutar contra a Rússia.Nestas condições é difícil dizer não ao terrorismo, quando são os maiores países mundiais (USA, China, Rússia, União Europeia, Arábia Saudita ou Qatar) que os financiam. Fácil nestas circonstancias de emoção extrema, pela barbárie dos ataques ocorridos, designar um bode expiatório, o Islão, quando tais actos não são exclusivo desta religião e não são exclusivos das religiões.
Durante os últimos anos, o ocidente apontou os árabes como os “maus da fita” derrubando regimes para lá instalar as suas marionetas por razões geo-estratégicas. Fácil nestas condições de culpabilizar o Islão fumentando ao mesmo tempo os radicais. Todas as religiões e ideologias políticas tiveram ao longo da história momentos de barbárie, e fora delas sempre houve grupos ou indivíduos fanático que cometeram crimes. Se a ideia era defender a liberdade de expressão, então, toda esta panóplia de representantes estatais, directa ou indirectamente, também tem sangue nas mãos.
A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude (Rochefoucauld).
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