EDITORIAL – Cavaco Silva, “salazarista convicto”?

Imagem2No nosso Editorial de 12 de Dezembro de 2012, levantámos a questão – “Cavaco Silva colaborou ou não com a PIDE?”. Hoje, na sua coluna semanal do Diário de Notícias, o ex-Presidente Mário Soares diz que Cavaco foi um “salazarista convicto no tempo da ditadura”. Embora a figura jurídica do impeachment, ou seja, da impugnação de mandato, não exista na nossa Constituição, pensamos que estas dúvidas deviam ser esclarecidas – não podemos ter na mais elevada magistratura da Nação um homem sobre o qual impende a suspeita de ter ajudado – muito ou pouco e seja por que motivo tiver sido – a tenebrosa, a asquerosa polícia política do salazarismo.

Ter sido “salazarista convicto” não constitui objectivamente um crime, embora não seja normal nem razoável que, numa democracia, seja aceite como chefe de Estado alguém que não seja um democrata. A questão foi agitada no decurso da primeira candidatura de Cavaco Silva contra Jorge Sampaio em 1996. Das entrevistas que deu e em que a questão das suas opções políiticas foi colocada por diversos jornalistas, ficou mais ou menos estabelecida a apoliticidade do actual Presidente – estava em Inglaterra a fazer o doutoramento quando do 25 de Abril e só depois da Revolução teve actividade política.

No decurso da campanha para as eleições presidenciais de 2006, o candidato Manuel Alegre lançou a acusação de que Cavaco Silva fora colaborador da PIDE– Cavaco admitiu ter preenchido uma ficha da PIDE, mas apenas  «por motivos académicos». Este surpreendente (por tardio) artigo de Mário Soares vem recolocar a questão da legitimidade do mandato do actual presidente. Não seria, perante as dúvidas, de abrir um inquérito? Um colaborador da PIDE – por convicção salazarista ou por motivos académicos – no cargo de Presidente da República de um Estado democrático é como ter Drácula no lugar de director do Instituto Português do Sangue.

2 Comments

  1. Nada de insultar o Drácula! Se Drácula fosse director do INS, pelo menos tínhamos alguém que percebia do assunto cuja gestão lhe fora confiada. E nunca tive notícia de que não fosse pessoa séria, que metesse a mão em pacote público, traficasse favores com amigos e parentes ou se alambazasse, às refeições, para além das necessidades, pelo que seria perfeitamente capaz de uma boa gestão, ainda que exigisse, compreensivelmente, ser pago em géneros.

Leave a Reply