EDITORIAL – A GRÉCIA, UM PAÍS DA EUROPA

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Amanhã vai haver eleições na Grécia. O nervosismo é enorme, não só no país interessado, como no resto da Europa e do mundo. A direita há muito que se prepara para o cenário de derrota nas eleições. O apoio de Jean-Claude Juncker, presidente da comissão europeia, ao governo da Nova Democracia, as declarações de Christine Lagarde, chefe máxima do FMI, de responsáveis alemães, no sentido da obrigatoriedade do pagamento da dívida do país, têm-se sucedido. Será que têm medo de perder algum dinheirinho? Noutras circunstâncias, não viriam a dizer que o capitalismo sem risco é coisa que não existe? Não será que o que temem é outra coisa?

Esta semana apareceu Mario Draghi, presidente do BCE, brandindo uma verba monumental, de mais de um milhão de milhões de euros, que se pensa ser destinada a baixar o custo do dinheiro, e assim fomentar o investimento. Os resultados desta medida são incertos, mas não será inadequado pensar que se destina, antes de mais nada, a criar na Europa um ambiente mais favorável ao crescimento económico, de um modo ortodoxo. Contudo, há quem tema, talvez ajuizadamente, que o principal efeito desta medida venha a ser aumentar a especulação financeira, que tem corroído a economia europeia e mundial, em vez de contribuir para o crescimento. E que esta adesão tardia ao quantitative easing se destina sobretudo a prevenir uma viragem à esquerda na política europeia, temida nos meios financeiros e burocráticos, na Grécia e não só. Claro que a aplicação concreta do dinheirinho vai depender de se houver juizinho ou não, na maneira como se vota nos vários países.

Os gregos têm perante si um grande desafio. A localização estratégica do país, vizinho da Ásia, agrava ainda mais o nervosismo internacional à volta do que se vai passar amanhã. Uma incógnita será a posição das forças armadas gregas, numerosas e bem equipadas, tanto em terra como no mar (por exemplo, a Grécia tem, salvo erro, 13 submarinos ao serviço, a maioria deles construídos onde? Na Alemanha, claro.) Ontem, numa cadeia de televisão, uma locutora anunciava que depois das eleições, vai começar a guerra. São realmente prognósticos significativos, sobretudo da maneira de pensar dos responsáveis que controlam os governos e a informação.

Propomos que leiam algumas notícias sobre este assunto:

 

http://www.theguardian.com/world/2015/jan/23/greece-solidarity-movement-cooperatives-syriza

http://www.publico.pt/economia/noticia/ministro-frances-abre-espaco-a-renegociacao-da-divida-grega-1682717

http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/declaracoes_sobre_grecia_provocam_reacoes.html

http://economico.sapo.pt/noticias/bruxelas-em-campanha-eleitoral-na-grecia_208165.html

 

 

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