Selecção e tradução de Flávio Nunes e Júlio Marques Mota
É tempo de eleições na Grécia. É tempo de os povos europeus dizerem não à corda que a todos aperta o pescoço e os asfixia. É tempo de gritarem: Liberdade.
Uma viagem por diversos países é o que aqui vos propomos. Estação de destino, hoje: Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha.
O fim da austeridade antes que o medo mate a democracia grega[1]
Alexis Tsipras, End Austerity Before Fear Kills Greek Democracy
Social Europe Journal, 22 de Janeiro de 2015
Alexis Tsipras
A Grécia muda a 25 de Janeiro, no dia das eleições. O meu partido, Syriza, garante um Novo Contrato Social para a estabilidade política e para a segurança económica. Nós aplicaremos as políticas que acabarão com a austeridade, que reforçarão a Democracia e a coesão social e voltarão a colocar a classe média de pé, com os pés na terra. Esta é a única forma de reforçar a zona euro e de tornar o projecto europeu atractivo para os cidadãos de todo o continente.
Nós devemos acabar com a austeridade de modo a que o medo não venha a matar a Democracia. A menos que as forças do progresso e da democracia mudem na Europa, será Marine Le Pen e seus aliados de extrema direita que a mudarão por nós e contra todos nós. Assim, nós temos o dever de negociar aberta e honestamente, de igual para igual, com os nossos parceiros europeus. Não há nenhum sentido que de lado a lado se passem a brandir as armas.
Deixem-me esclarecer um equívoco: equilibrar o orçamento do governo não exige automaticamente que se pratique a política de austeridade. O governo de Syriza respeitará a obrigação de Grécia, como um membro da zona euro, de manter um orçamento equilibrado, e respeitará os objectivos quantitativos. Contudo, há uma questão fundamental da democracia, a de que seja o governo que venha a ser eleito a decidir por si próprio como irá conseguir aqueles objectivos. A austeridade não faz parte dos tratados europeus; todavia, a democracia e o princípio da soberania popular, fazem. Se os eleitores gregos confiam em nós com os seus votos, aplicar o nosso programa económico não será um acto “unilateral”, mas será sim uma obrigação democrática.
Há alguma razão lógica para continuar com uma prescrição que leve a doença a aprofundar-se e a expandir-se com o desenvolvimento de múltiplas metáteses? A austeridade falhou na Grécia. Destruiu a economia e colocou uma grande parte da força de trabalho no desemprego. Esta é uma crise humanitária. O governo prometeu aos credores do país que irá cortar ainda mais nos salários e nas pensões e que irá também aumentar os impostos em 2015. Mas a estes compromissos responde somente o governo de Antonis Samaras — que, por esta razão, será derrotado e destituído aquando das eleições de 25 de Janeiro.
Gráfico I) Desemprego na Grécia: evolução da taxa de desemprego e da taxa de desemprego jovem (2001:2013)
Publicação: jornal The Guardian. Fonte: Eurostat
Nós queremos que a Grécia volte a ser verdadeiramente um país europeu, um país profundamente democrático. O nosso manifesto, conhecido como o programa de Tessalónica, contém um conjunto de medidas, de curto prazo, fiscalmente equilibradas, com que se pretende reduzir a crise humanitária que vivemos hoje, de reiniciar a retoma da economia e de criar postos de trabalho. Ao contrário dos governos precedentes, nós enfrentaremos os factores que dentro da Grécia perpetuaram a crise. Na mesma linha enfrentaremos a oligarquia económica e a sua evasão fiscal. Nós asseguraremos a justiça social e o crescimento sustentável, no contexto de uma economia social de mercado social.
A dívida pública aumentou situando-se agora em cerca de 177 % do PIB. Isto é insustentável; satisfazer os correspondentes pagamentos, o fardo da dívida, é muito violento. Na base dos empréstimos existentes, nós exigimos que se criem termos de reembolso que não provoquem a recessão e não empurrem as pessoas para situações de um desespero e pobreza ainda mais vincadas. Nós não estamos a pedir novos empréstimos; nós não podemos mantermos-nos a somar mais dívida à já gigante dívida.
Gráfico II) Divida pública grega: evolução e previsão do total da divida pública em percentagem do PIB (2006:2022)
Publicação: jornal The Guardian. Fontes: Eurostat, IMF






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São situações preocupantes que existem pelo mundo inteiro!