Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
A caminho da Grécia, a caminho da libertação da Europa – a luta contra a austeridade
2A. Uma modesta proposta ao governo Grego… ou como terminar com a ditadura Alemã
Jean Claude Werrebrouck, Modeste conseil au gouvernement Grec…ou comment en finir avec la tyrannie Allemande
Blogue La Crise des Années 2010, 26 de Janeiro de 2015
A vitória de SYRISA confirma efectivamente que é sobretudo o desencadear de uma situação de pânico que levará a pôr-se um fim à moeda única. Frequentemente insistimos sobre a impossibilidade de uma negociação concertada com o propósito de desmontagem da zona [1], a qual levaria a uma situação de alta voltagem generalizada nos mercados financeiros. Daí a ideia de um desmantelamento de acordo com “um modo em pânico”. Proclamando que a Grécia permaneceria na zona apesar da sua exigência de nova negociação, o novo governo grego parece querer respeitar o imperativo de não quer pressionar o botão atómico.
Resulta daqui que é na verdade a situação de pânico que deveria finalmente emergir.
Para isso, com as decisões do BCE datadas de 23 de Janeiro passado e a vitória de SYRISA a 25, o caminho da deslocação para a situação de pânico parece estar claramente a desenhar-se.
O BCE corta o ramo em que está sentado
As decisões do BCE abrem uma lacuna significativa com a reanimação dos bancos centrais nacionais e o facto de que as compras de dívida não serão partilhadas em 80 por cento do total.
De facto, tudo se irá passar como se o sistema euro seja posto entre parênteses o que põe, de resto, singulares problemas jurídicos [2]. Sabe-se com efeito, desde 23 de Janeiro, que os bancos centrais nacionais comprarão dívida de diferentes categorias, e vão assim emitir euros que irão abundar as contas dos bancos do segundo grau que se encontram no passivo dos balanços dos ditos bancos centrais nacionais. Um trabalho que estes exerciam na época em que funcionavam as moedas nacionais.
Obviamente, a comunicação do BCE tem o cuidado de sublinhar que a compra das dívidas nacionais será controlada por Frankfurt e que a emissão correspondente de moeda, respeitará a proporcionalidade, que se encontra na distribuição entre os Estado-participantes do capital do BCE. Concretamente dado que a Grécia possui apenas 2,9% do capital social do BCE, beneficiará apenas de 2,9% do programa QE lançado [3]. Isto não impede que se ponha tudo em prática para um autêntico fraccionamento, prelúdio do desaparecimento da moeda única.
Porque será suficiente que um Banco Central Nacional muda de ‘mestre’ para que tudo realmente comece realmente a mudar.
O que poderá então acontecer se SYRISA retoma calma e lentamente o controle do Banco Central?
De facto, pode-se imaginar que um governo, por exemplo, o governo grego, decide agora que o governador do Banco Central grego, deve obedecer ao Ministro das Finanças e não ao governador do BCE, para que a zona euro se afunde em dificuldades não controláveis.
Que poderia exigir o ministro em questão?
Por exemplo, de desviar completamente o QE do BCE do seu objectivo exigindo que o Banco Central da Grécia garanta emissões primárias de dívida pública, sob forma de resgate imediato sobre o mercado secundário [4].
A regra europeia de interdição de que o Banco Central da Grécia se venha a posicionar como comprador sobre o mercado primário sendo formalmente mantida é, na verdade, contornada.
Pode-se até imaginar um resgate de dívida grega completo, permitindo um reembolso total ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), ou seja 141,9 mil milhões de euros, o conjunto dos empréstimos bilaterais no montante de 52,9 mil milhões de euros, os empréstimos do FMI de 32,9 mil milhões de euros, os próprios empréstimos do BCE de 25 mil milhões de euros. O que também aliviaria os bancos gregos que poderiam beneficiar de um QE nacional. Claro, a troika poderia protestar, as contas TARGET2 podem ser congeladas, os movimentos de capitais entre a Grécia e o resto do mundo podem ser proibidos, etc. No entanto, a Grécia por esta ousadia respeitaria integralmente os seus compromissos, os países credores teriam a escolha entre um tsunami financeiro, resultando num agravamento substancial das suas próprias dívidas, e a segurança de nada ter perdido sobre o primeiro resgate da Grécia em 2012.
A caminho da explosão
On pourrait imaginer qu’elle quitterait juste après avoir été remboursée dans les conditions que l’on vient d’énoncer.
A partir desta situação, parece-me claro que a Alemanha, por causa dos interesses e das crenças colectivas, seria a primeira a deixar a zona euro, embora somente depois de formalmente ser reembolsada do total dos seus créditos sobre a Grécia de 41,3 mil milhões em relação ao FEEF e de 15,2 mil milhões em empréstimos bilaterais. Poder-se-ia imaginar que a Alemanha só estaria disposta a largar a zona euro depois de ter sido reembolsada sob as condições definidas que acabámos de enunciar.
Por efeito de imitação, é difícil de imaginar que outros países na zona euro respeitem as regras impostas por um BCE desacreditado e incapaz de retomar as rédeas.
Isso significa que a orgia monetária daí resultante viria a traduzir-se numa queda da taxa de câmbio do euro. Uma queda bem alimentada por todos os bancos centrais do mundo, a começar pelo Banco Central da Suíça, que basicamente se antecipou a todos os outros que o iriam depois seguir. Mas também um euro que, formalmente, desaparece tendo pago a todos os seus credores.
Sim, senhor primeiro-ministro, restaure a soberania da Grécia ao mesmo tempo que proclame o sem empenho em estar na zona euro: fará então um enorme serviço para uma Europa que se desembaraçará assim do veneno que a destrói. Uma Europa que é necessário reconstruir totalmente, por exemplo com um verdadeiro Quantitative easing que, em vez de se estar a alimentar os casinos dos bancos, em que estes continuam a ser bancos universais, se alimentarão investimentos públicos massiços à escala europeia e dando confiança e apoio aos verdadeiros investidores (empresários e não especuladores financeiros) da economia real.
Jean Claude Werrebrouck, Modeste conseil au gouvernement Grec…ou comment en finir avec la tyrannie Allemande
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Ver o original em>
http://www.lacrisedesannees2010.com/2015/01/modeste-conseil-au-gouvernement-grec-ou-comment-en-finir-avec-la-tyrannie-allemande.html
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sinto que sou leigo na matéria ,mas sei que isto com o Eur onumca chegaremos a lado nenhum, á muito tempo que tenho esta opnião