CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – BOA VIDA A DE DEPUTADO DA NAÇÃO! – por Mário de Oliveira

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Cada partido da área do poder político tem as suas jornadas parlamentares. Nomeadamente, em anos de eleições. Um luxo de ricos de que os pobres, pior, empobrecidos, não se podem permitir. Muito menos, os muitos milhares de desempregados. Ser deputado da nação, nomeadamente, em países de pobreza estrutural, como o nosso, de desemprego generalizado, de trabalho precário, com salários em atraso, é um privilégio de poucos. As regalias são muitas. Desde logo, a comida de cada dia. A cantina que serve diariamente os deputados na AR é de cinco estrelas, em quantidade e qualidade. Os custos são os mesmos de um qualquer restaurante de refeições económicas, cá fora. O salário de deputado, de direita ou de esquerda, está muito acima do salário mínimo aprovado por eles para os operários. Em oposição ao poder poíítico, a Política praticada é sinónimo de generosidade, entrega pessoal, dedicação de qualidade a custo zero. O melhor de uma mulher, um homem, mostra-se na Política praticada. É genuíno amor ao próximo. A gratuidade em acção. Para que as populações cresçam de dentro para fora, até serem sujeitos das suas vidas, sem mais intermediários. Só o que não ama os demais, a partir dos filhos de ninguém, aceita ser poder político. Integrar uma lista de candidatos a deputado por um qualquer partido. Se estiver entre os elegíveis, vê logo abrir-se-lhe as portas do palácio do poder. Em Lisboa. Ou em Bruxelas. Anos que viva, nunca mais é pé descalço. Outrora, nas aldeias do interior, os pais pobres sonhavam com um filho sacerdote, clérigo. Era um viver estéril, até sem descendentes, mas de privilégio. O que hoje dá é ser deputado. Uma espécie de deus, muito acima das populações que os deputados, só por ironia, dizem representar, defender. Às populações cabe-lhes votar. Nunca ser. As Jornadas Parlamentares estão aí a gritá-lo. Uns dias bem passeados, bem alimentados. Para que quem trabalha, é desempregado, reformado, possa concluir, Boa vida, a de deputado da nação! Como a de clérigo católico, bispo, ou pároco!

4 Fevº 2015

 

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