A QUANTITATIVE EASING DE DRAGHI: UMA SAÍDA DA CRISE OU O ÚLTIMO PREGO NO CAIXÃO DA EUROPA? – 4. CINCO COISAS EM QUE DEVEMOS PENSAR: ABC DA POLÍTICA QUANTITATIVE EASING DO BCE, por LANCE ROBERTS

Falareconomia1

 Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A quantitative easing de Draghi:  uma saída da crise ou o último prego no caixão da Europa?

4. Cinco coisas em que devemos pensar: ABC da política  Quantitative Easing  do BCE

Lance Roberts, 5 Things To Ponder: The ABC’s Of The ECB’s QE

Streettalk, 22 de Janeiro de 2015

Submitted by Tyler Durden on 01/23/2015 16:35 -0500

Submitted by Lance Roberts of STA Wealth Management,

Bem, chegou  finalmente  a QE depois de dois anos de promessas, de ranger de dentes de fúria e de esperança – o Banco Central Europeu anunciou finalmente que irá praticar a política dita de Quantitative Easing.

Como eu escrevi ontem:

“Hoje, o BCE anunciou que se irão empenhar num programa  tipo “ QE ” em que irão  comprar €60 mil milhões de  (Euros, não dólares) mensalmente  em títulos de dívida soberana com a notação das agências de rating na  categoria de investimento.

Enquanto  os mercados podem estar a dar as boas-vindas a uma outra fonte de liquidez para substituir a vaga deixada por Federal Reserve, são diversos os problemas que o BCE ainda terá que ultrapassar. O primeiro, e indiscutivelmente o mais importante, foi  identificados por  Axel Merk:

“Deve ser tornado claro, penso,  que a taxa de depósito negativa no BCE com a qual este compara o  balanço de hoje ao  de 2012 assemelha-se  a comparar maçãs com  laranjas.

Deixem-nos manter a ideia de  que qualquer um que venda títulos ao  BCE deve fazer alguma coisa  com o dinheiro recebido em troca. Os programas de QE noutros países permitiram que os bancos ganhassem alguns juros  com este  dinheiro adicional. No BCE, os vendedores terão que pagar ao BCE a fim de aí poderem depositar  o dinheiro adicional. Em consequência, os vendedores pensarão duas vezes antes de vender os referidos títulos. Tendo dito  que, ao preço correcto, eles serão vendedores.  Contudo, nós estamos a passar  agora das maçãs e das laranjas para  bananas – pardon um simples jogo de palavras: qualquer que seja a quantidade comprada  pelo BCE será sempre mais eficaz  com taxas de juro negativas sobre os  depósitos de dinheiro no BCE, levantando portanto  dúvidas sérias sobre se é apropriado estabelecer  que o valor total do balanço em  2012 do balanço é um valor  apropriado.”

 Isto é crucialmente importante. Com o BCE a manter as  taxas de juro inalteradas, a taxa de juro negativa  faz com que este programa de QE seja muito menos atractivo para os vendedores de títulos.

Em segundo lugar, dado o facto de  que o  programa “QE” falhou  em dinamizar a  “inflação” em qualquer outro lugar no planeta onde foi aplicada, a questão  transforma-se realmente em “qual é o problema ? “As pressões deflacionistas na  Europa são o verdadeiro problema para  Draghi, e desde que a QE suprime as  taxas de juro e a  inflação, o processo  parece estar completamente a contradizer os objectivos indicados.”

Mesmo se um  programa QE do BCE tem ou não  o efeito desejado  só se saberá  algum tempo depois. Contudo,  esta  semana é apresentada  uma variedade de opiniões em que a  inicial tem como título “ABC do QE do BCE.”

1)  Finalmente o detalhe  por  Peter Boockvar via The Big Picture

“O BCE disse que as compras combinadas mensais do BCE que  incluem  ABS e obrigações cobertas  e agora incluem títulos de dívida publica e títulos de  agência poderão   totalizar   60 mil milhões de euros por  mês e continuará a fazer assim “até que nós vejamos uma  melhoria sustentada da inflação.” O rácio será baseado sobre o item capital onde cerca de  metade é composto  pela  Alemanha,  França, Itália e  Espanha. O BCE coordenará as compras mas estas serão  executadas de forma descentralizada   o  que significa que o serão a  nível nacional. O  papel das instituições europeias  (tal como o papel emitido por FEEF será sujeito à partilha das suas   perdas  mas as compras nacionais do banco central sobre a dívida de outro país soberano  não serão sujeitas à partilha das perdas o  que satisfaz os alemães). 

Igualmente abaixaram a taxa a que  TLTRO poderá ser  emprestado de .15%  para  .05%. O resultado, porque pessoalmente duvido  mesmo  que o BCE acredite que esta medida venha directamente a aumentar  os empréstimo aos  bancos, será  provavelmente ainda um maior  enfraquecimento do euro.”

Ler também:  Investor Implications Of ECB QE by Axel Merk via Merk Investments

 2) Draghi’s Going To Have A Bad Day At The Office by Mark Gilbert via Bloomberg

Uma solução melhor seria a de deixar o programa sem termo, com Draghi a repetir a sua velha afirmação  “custe o custar”. Isso seria visto  como um  tipo de choque e de  terror que iria ganhar aplausos nos defensores da  QE. Colocar a  Alemanha perante um compromisso infinito, no entanto, isto seria uma tarefa impossível.

Draghi ainda tem que negociar a introdução muito delicada  da compra de obrigações do Estado com  rendimentos negativos, o  que prevalece  actualmente numa grande parte da zona euro. Pagar pelo privilégio de guardar  o dinheiro por exemplo em obrigações do Estado francês a três anos efectivamente esconde uma   perda em capital  se se recebe depois  menos do que aquilo que se pagou por essa compra. Um advogado poderia discutir que isto constitui “um  financiamento monetário” dos governos, o que é proibido pelo tratado da União Monetária. Draghi de resto já se viu desafiado  judicialmente no seu poder por causa da compra de obrigações. Essa disputa  pode ser reacesa num um futuro próximo.”

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3) Mario Draghi pode precisar de um muito grande por Jeff Cox através do CNBC

“Isto é  precisamente a razão pela qual  o anúncio de quinta-feira poderia apenas ser o primeiro passo do BCE na caminhada da sua QE , exactamente  como o FED  lançou duas das  suas próprias iniciativas antes de  finalmente assumir, na terceira ronda, muito simplesmente dizer aos  mercados  que as compras de  activos eram “sem termo” e podiam continuar indefinidamente. (Como se verificou a  QE3 terminou   Fed em Outubro.)

O economista Willem Buiter do  Citigroup espera assim uma salva da abertura de 600 mil milhões de euros  sobre dois anos, o que provavelmente não saciará   o apetite dos accionistas que querem um ataque frontal completo contra a deflação.

‘Nós consideramos um tal programa como estando longe de ser  óptimo: a  nossa preferência seria por   um programa bem maior , durante um período mais curto, com a mutualização  completo de todas as perdas acordadas desde o princípio. Mas um programa limitado pode bem ser necessário para  obter um largo apoio. ‘”

Ler também: ECB Move Lacks Shock And Awe by John Authers via Financial Times

4)  Stock Investors Should Leave For Europe por  Michael Kahn via Barrons

“ O  plano de quinta-feira apresentado pelo Banco Central Europeu (BCE) para começar um novo  programa mensal  de  compra de títulos da dívida pública  levantou o moral dos investidores  nas bolsas de todo o mundo e o euro caiu como esperado.

A maré de subida das acções ordinárias na  Europa teve como efeito também a subida das acções  nos Estados Unidos com os índices  chave na  Europa e nos E.U. a subirem  aproximadamente 1,5% relativamente ao trading anterior. Mas a queda do euro e o correspondente aumento do valor do dólar americano  serão um problema para os exportadores americanos. Por arrasamento, isto sugere  que as acções de empresas de larga capitalização, que  fazem  uma grande percentagem dos  seus negócios fora do país estarão a enfrentar alguns sérios  problemas.

A atractividade dos  títulos  americanas, que eram de longe o melhor  lugar  no mundo para colocar o dinheiro a render  nesta  década, enfraqueceu-se, pelo menos no curto prazo. Um olhar  para um gráfico  do Stoxx 50, que é um índice de primeira ordem pan-europeu, mostra  esta tendência . ”

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Ler também: Why Central Bankers Are Terrified Of Falling Prices by Shobhana Chandra via Bloomberg

 5) Societe Generale explica porque razão a QE do BCE irá falhar, por  Societe Generale via ZeroHedge

Nota: Este artigo é uma muito boa síntese   do programa inteiro tal  como foi  anunciado. Aproveitamos para encorajar o leitor a ler todo o artigo  de de SocGen, está aqui um pequeno resumo:

“A quantidade potencial necessária  de QE é na ordem entre os 2 e os 3 milhões de milhões de euros ! Assim, para que  a inflação se venha a situar  perto do valor de referência de  2,0% a médio termo, a quantidade potencial de compras em  activos necessária será na ordem de  €2-3 milhões de milhões,  não um simples milhão de milhões. Se o BCE visar tal expansão do seu balanço, terá que tornar mais fáceis  algumas condições nas  suas compras de obrigações  (regra quanto à  liquidez, qualidade …) ou contemplar também outras classes de activos-stocks de títulos, Real Estate Investment Trust, (REIT), fundos cotados em bolsa (Exchange-traded fund  ETF)… – tal como o fez  anteriormente o  BoJ.

Assim o ónus permanecerá   na aplicação  de uma política orçamental bem mais desenvolvida e das reformas estruturais. Mas é difícil ter esperança por estes lados. .”

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Ver o original em:

http://streettalklive.com/index.php/daily-x-change/2578-5-things-to-ponder-the-abc-s-of-the-ecb-s-qe.html

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