EDITORIAL: ERA UMA VEZ UM SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE….

A dolorosa intervenção de um doente com hepatite C, que logo editorialinterpelou o ministro da saúde, durante uma audição na Comissão Parlamentar da Saúde na Assembleia da República, e cuja filmagem chegou a casa de todos de variadas formas, entrou-nos pelos olhos dentro, demonstrando a indignidade do precário acesso ao Serviço Nacional de Saúde. Perante afirmações dos governantes, questiona-se: quanto vale uma vida?

O primeiro-ministro justificou-se dizendo que os estados devem  “fazer tudo o que está ao seu alcance para salvar vidas humanas”, mas não “custe o que custar”. Pergunta-se:  qual é o limite financeiro?  Mas que cumprimento da Constituição é este?

A situação actual na saúde é: centros de Saúde encerrados, pessoal médico e de enfermagem diminuído, não aquisição de medicamentos, fuga dos médicos para o sector privado, intermináveis filas nas urgências, redução de camas dos hospitais, serviço de ambulâncias dificultado, aumento do horário de trabalho do pessoal clínico, corte nas comparticipações.

Por outro lado, floresce o negócio dos hospitais privados…

Recordamos que o relatório da OCDE veio afirmar (no que foi prontamente desmentido pelo governo) que as medidas do Governo de contenção da despesa no sector da saúde fizeram com que Portugal acabasse por cortar o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a troika.

A questão levantada pelos doentes com hepatite C, doença para a qual noutros  17 países já havia acordo entre governos e o laboratório que fabrica os medicamentos para o seu tratamento,  e que em Portugal estavam a ser negociados, depois do incidente atrás referido, viu resposta rápida na sua resolução. Questiona-se: que interesses no seu adiamento?  Questiona-se: necessitamos de atitudes desesperadas e mediáticas para conseguir aquilo a que se tem direito?

2 Comments

  1. Gosto do escrito ,não gosto da néscia e mal intencionada “justificação do pm que parece (?) legalizar essa triste moda dos hospitais privados . Triste Nação a minha.

  2. Que eu saiba os EUA não tem SNS para todos. Ainda não compreendi bem o nosso Governo
    querem tirar tudo o que estava a funcionar aos que não podem que não podem e não recursos!
    Só espero que SNS se mantenha temos nos que lutar por que isso aconteça!

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