EDITORIAL –  A EUROPA ENTRE A ALEMANHA, O SOCIALISMO NA GAVETA  E A EXTREMA DIREITA

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Ontem, em Doubs, um departamento de leste de França, decorreu a segunda volta de uma eleição parcial, motivada pela saída do parlamento francês de Pierre Moscovici, um dos novos comissários europeus, com a entrada de Juncker para presidente da comissão europeia. Venceu Frédéric Barbier, candidato do PS francês, com uma margem pequena sobre Sophie Montel, candidata do FN – Front National.  O resultado desta eleição foi vital para o PS francês manter a sua posição no parlamento. Caso perdesse, o país podia ter de ir para eleições. Por outro lado, havia interesse em medir a força do FN, após o atentado contra o Charlie Hebdo e as manobras políticas que se lhe seguiram.  O FN perdeu, mas obteve a sua maior votação de sempre no departamento, para o que terá contribuído a transferência de muitos votos da UMP de Sarkozy, apesar das declarações deste último, favoráveis a uma frente republicana.

Enquanto os líderes políticos da União Europeia, da Alemanha e das outras potências europeias, acompanhados da sua coorte de comentadores e da grande comunicação social se entretêm a diabolizar Tsipras, Varufakis e o novo governo grego em geral, a extrema-direita francesa já faz aproximações aos outros países, incluindo os Estados Unidos. Procuram tirar partido das péssimas políticas europeias para lentamente irem alargando a sua base de apoio, e parecem estar a conseguir.

O seu maior aliado tem sido a política de austeridade. Esta afectou a grande maioria da população, que viu o seu nível de vida muito afectado por medidas carriladas por governos socialistas, que meteram o socialismo na gaveta, e por governos conservadores, populares, social-democratas, democráticos, cristãos, sociais, etc. Todos com um objectivo comum, baixar o nível de vida da população, para concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria. E assegurar o pagamento de dívidas impossíveis de pagar, ao FMI e aos bancos, com destaque para os bancos alemães, impossibilitando na prática  um crescimento económico da maioria dos países, que lhes permita reduzir o grande fosso existente entre eles e a Alemanha.

http://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2015/02/09/doubs-les-six-enseignements-du-scrutin_4572469_4355770.html

http://www.publico.pt/mundo/noticia/stuart-holland-este-e-o-momento-de-viragem-da-europa-1685386

 

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